O reaparecimento de doenças erradicadas no Brasil

Enviada em 11/12/2020

Segundo a OMS (Organização Mundial de Saúde), no ano de 2019, o sarampo matou mais de 200 mil pessoas, sendo o maior número de casos notificados em 23 anos. De maneira semelhante, na contemporaneidade, ainda que tenha ocorrido um alto desenvolvimento científico e existam vacinas de eficácia comprovada, doenças erradicadas como sarampo, poliomielite e rubéola voltaram a aparecer no Brasil, causando prejuízos para a sociedade como um todo. Nesse sentido, tanto a questão da desinformação, quanto as desigualdades presentes são formas de se entender a problemática.

Em primeira instância, vale salientar a interferência das orientações educacionais dos indivíduos. Segundo Immanuel Kant, o ser humano é tudo aquilo que a educação faz dele. Desde o início do século XIX, a pouca compreensão sobre a saúde é um fato que causa grandes transtornos na sociedade, sendo um exemplo a Revolta da Vacina em 1924 no Brasil, onde a população estava revoltada porque o governo impôs vacinação obrigatória. Nessa perspectiva, é necessário compreender que a população dessa época carecia de grandes informações acerca da vacinação e, dessa forma, não conheciam qual era o objetivo de tal medida. Analogamente, no Brasil do século XXI, começaram a surgir grupos antivacina, que alegam não confiar no sistema de proteção proposto pela OMS, tais grupos acreditam essa medida causa efeitos colaterais ou que pode sobrecarregar o sistema imune do vacinado, essa visão pode ser construída quando o individuo desconhece dos anos de pesquisa necessários para a aprovaçãoda eficácia e segurança das vacinas.Assim, uma população desinformada sobre as transmissões e as prevenções das doenças torna-se mais vulnerável ao seu contágio.

Outrossim, a corroboração da circunstância se deve às desigualdades presentes. Segundo o filósofo Aristóteles, o equilíbrio da sociedade só seria alcançado pela utilização justa da política. Por esse ângulo, é possível perceber que, no Brasil, com apenas o acesso pleno de muitos benefícios constitucionais às camadas média e alta da sociedade- como o direito à saúde- essa harmonia é quebrada. Tal perspectiva se comprova, pois o SUS, embora seja um sistema público, muitas vezes não atinge as populações mais carentes com suas campanhas de vacinação, prejudicando a conduta de vida desses indivíduos, que ficam desprotegidos e podem intensificar a disseminação de doenças.

Diante do exposto, portanto, é imprescindível trabalhar, no Brasil, o reaparecimento de doenças erradicadas. As escolas, em parceria com os profissionais da área, devem elaborar projetos, mediante aulas contextualizadas e fóruns de discussões -envolvendo alunos e comunidade- orientando a população acerca do ressurgimento de doenças e medidas para minimizar o contágio. Tudo isso com o objetivo de educar e construir jovens mais analíticos.