O reaparecimento de doenças erradicadas no Brasil
Enviada em 17/12/2020
Promulgada em 1988, a Constituição Federal assegura a todos os indivíduos o acesso à saúde e ao bem-estar social. No entanto, o que se observa, na realidade brasileira, é o oposto, visto que doenças, antes erradicadas, estão reaparecendo. Esse cenário é fruto da negligência governamental e da falta de ações educativas.
Em primeiro plano, é válido ressaltar que a negligência governamental, em relação à vacinação, impulsiona esse revés. Acerca disso, é pertinente trazer o discurso do filósofo Zygmunt Bauman, o qual afirma que Instituições Zumbis são aquelas que deixam de cumprir seu papel social. Diante do exposto, é notório perceber que o Ministério da Saúde é uma dessas instituições, pois investe minimamente em campanhas nacionais de vacinação e no combate à notícias falsas sobre o assunto. Por conseguinte, no hodierno, muitas pessoas deixam de se vacinar e há o reaparecimento de diversas doenças. A exemplo disso, estão os casos de sarampo, que, segundo a Fiocruz, já infectou mais de 2300 pessoas em 2020.
Outrossim, é lícito postular que a falta de políticas educativas contribuem para esse cenário. De acordo com o sociólogo Pierre Bourdieu, em sua tese sobre o processo de socialização, a escola tem papel fundamental na formação do indivíduo. Sob esse viés, observa-se que a falta de aulas sobre educação sexual, que exponham a importância do uso de preservativos e as doenças que são sexualmente transmissíveis, faz com que muitas crianças e adolescentes cresçam sem saber os riscos da relação sexual sem proteção.