O reaparecimento de doenças erradicadas no Brasil

Enviada em 02/04/2021

A Constituição federal, promulgada em 1988, assegura aos brasileiros e estrangeiros residentes no país garantias fundamentais, dentre elas o direito à saúde. No entanto, no que concerne ao controle de doenças, nota-se que as normas presentes na Carta Magna não são eficientes, uma vez que o Ministério da Saúde afirma que mortes por enfermidades erradicadas aumentam gradativamente. Esse cenário ocorre devido o crescente aquecimento global em conjunto com a resistência à imunização.

A priori, vale destacar que o efeito estufa é um fenômeno natural, entretanto, esse processo está sendo acentuado por ações antrópicas. Em resumo, a emissão exarcebada de gases poluentes, como o monóxido de carbono, formam uma camada na atmosfera capaz de reter calor, o que propicia o derretimento de calotas polares e, consequentemente, a exposição de vetores erradicados, como vírus e bactérias. Sob esse viés, a revista “Bioika apresentou, em 2018, uma reportagem que mostra a morte de uma criança e a hospitalização de várias pessoas infectadas por antraz, doença causada por bactéria. Acredita-se que o surto ocorreu devido a carcaça de uma rena contaminada, morta há aproximadamente 75 anos, ser exposta após ocorrer o degelo do solo em que se encontrava enterrada. Assim, há o reaparecimento de patógenos acumulados há milhões de anos.

Ademais, o movimento antivacina corrobora para a permanência da questão. Em suma, em 1998, o médico britânico “Andrew Wakefield” publicou um estudo distorcido na revista científica “The Lancet” que relacionava a vacina tríplice viral ao desenvolvimento do autismo. Rapidamente, o medo se espalhou mundialmente e, apesar do artigo ter sido desmentido inúmeras vezes, os pais continuaram com receio de vacinar seus filhos. Nesse contexto, em 2020, boletins do Ministério da Saúde registraram sarampo, doença infecciosa grave, em 21 estados brasileiros, ainda que haja métodos comprovados de imunização e o vírus causador da contaminação esteja erradicado desde 2016. Dessa forma, é evidente que a ausência de prevenção contribui para a reintrodução de agentes infecciosos na população.

Portanto, é imprescindível que o Estado tome providências para amenizar o quadro atual. Nesse sentido, com o intuito de impedir o reaparecimento de doenças no Brasil, urge que o Governo Federal, por meio de verbas públicas, divulgue campanhas de vacinação nas redes sociais - como Facebook e Instagram-, que expliquem as consequências da ausência de proteção e exemplifique como ocorre a imunização, para que a sociedade não tenha medo dos métodos preventivos. Somente assim, os direitos previstos pela Constituição federal serão, de fato, assegurados.