O reaparecimento de doenças erradicadas no Brasil
Enviada em 03/05/2021
No ano de 2019, um grande quantitativo de venezuelanos adentraram o território brasileiro por Roraima e se espalharam pelos estados nortistas.Infelizmente, tais grupos trouxeram consigo o Sarampo,uma doença que, até então, estava desaparecida, mas que, rapidamente, originou um surto e uma crise sanitária na região.Desse modo, essa situação exemplifica a crescente problemática do reaparecimento de enfermidades erradicadas no Brasil.Tal realidade advém das fake news e da negligência estatal, fatores que fazem urgir uma atenuação desse revés.
Em primeira análise, é válido salientar que as informações falsas contribuem com o panorama supracitado.Ao encontro da fala de Joseph Goebbels- chefe de propaganda nazista que afirmava: “Uma mentira contada mil vezes torna-se uma verdade”-, na atual conjuntura brasileira, a alta disseminação de inverdades, especialmente via redes sociais, afugenta a sociedade do cuidado.Nessa perspectiva, manchetes como “A vacina do Covid-19 altera DNA”, frase proferida pelo presidente Bolsonaro e massificada via internet, corroboram a disseminação do medo e de movimentos “anti” prevenções- a saber o “antivacina”-, que reduzem a " imunidade de rebanho" e, por conseguinte, permitem a volta de doenças a muito desaparecidas.
Em segundo plano, também é notável que a omissão estatal permite o caos na saúde pública.Apesar de ser assegurado-por intermédio dos Direitos Humanos-o direito à informação, no atual contexto do Brasil, o Estado não formula políticas eficientes de propagação de informes que permitam uma maior adesão às profilaxias. Nessa ótica, não há campanhas regulares, de abrangência nacional, que visem mitigar os tabus e as mentiras no que tange as vacinas, camisinhas e outros métodos preventivos, cenário esse que permite o reaparecimento de doenças como a sífilis, o sarampo e a tuberculose, por exemplo.Em suma, a inércia governamental em conscientizar e informar a população realça o aumento descontrolado de patologias que, até então, não eram uma preocupação.
Destarte, é mister modificar essa mazela social. Assim, o Ministério da Saúde e as Corporações Midiáticas, em parceria com o Legislativo, devem implementar o projeto “Saúde já”, por meio de emendas constitucionais.Em síntese, seria transmitido -semanalmente e em canais abertos- ficção engajada sobre ações pertinentes à prevenção, os efeitos colaterais e o modo de agir das profilaxias ,de maneira didática e divertida.Tal medida objetivaria mitigar o poder das fake news e promover maior adesão popular à prudência pela propagação de informações verdadeiras.Dessa forma, surtos de doenças erradicadas, como a que ocorreu no Norte em 2019, não seriam um problema recorrente no Brasil hodierno.