O reaparecimento de doenças erradicadas no Brasil
Enviada em 27/06/2021
Em 1904, foi sancionada pelo Governo a lei da vacinação obrigatória, a fim de erradicar a varíola. A dose deveria ser aplicada à força, e pela precariedade de informações fornecidas ao povo, a situação acabou gerando uma revolta, conhecida como A Revolta da Vacina. Contemporaneamente, sabe-se que a vacinação não é mais obrigatória, porém, tal fato pode ser o responsável pelo reaparecimento de doenças já erradicadas no Brasil. Além da divulgação de mitos sobre as vacinas, a estigmatização de métodos preventivos por parte da sociedade e a enorme exploração ambiental brasileira também apresentam suas parcelas de culpa.
A priori, é importante salientar que existem diversos mitos sobre as diferentes vacinas existentes, e muitas vezes, por falta de educação midiática, famílias decidem parar de se vacinar, ou simplesmente escolhem não vacinar seus filhos por uma crença em efeitos colaterais, os quais supostamente seriam causados após a imunização. Entretanto, segundo a Organização Mundial da Saúde, morrem aproximadamente um milhão e meio de crianças por ano após a contração de patologias que poderiam ter sido evitadas a partir da vacinação, fato que comprova a importância da participação em campanhas, uma vez que além de afetar sua própria família, as doenças são facilmente transmissíveis, tendo uma proliferação rápida na sociedade, mesmo se tratando de enfermidades já controladas.
Outrossim, é perceptível que a falta de seguimento de métodos preventivos contra doenças contagiosas é um dos principais fatores que influencia no retorno de certas doenças. A ignorância de alguns pode custar a vida de outros, e por esse motivo deve-se tentar ao máximo seguir a risca as profilaxias corretas. Contudo, para isso, há a necessidade de uma maior divulgação das mesmas. Ademais, as desigualdades sociais agravam a proliferação de enfermidades, uma vez que em alguns lugares não existe saneamento suficiente para que se tomem medidas profiláticas. Além disso, a exploração de florestas nacionais não apenas extingue espécies e biodiversidade, mas também destrói habitats, e desse modo, animais com patógenos se aproximam cada vez mais de meios urbanos.
Portanto, evidencia-se que são necessárias medidas capazes de mitigar essa problemática. Cabe ao Ministério da Saúde, juntamente às instituições escolares, a divulgação de informações concretas e comprovadas sobre vacinação e medidas profiláticas, seja por meio de propagandas midiáticas, cartazes, panfletos ou campanhas que abranjam todas as classes sociais, a fim de que um número maior de pessoas se vacine sem hesitar e tome medidas preventivas contra o reaparecimento de doenças. Por outro lado, o Ministério do Meio Ambiente também deve enrijecer a legislação, de forma que a exploração de florestas nacionais diminua de forma significativa.