O reaparecimento de doenças erradicadas no Brasil
Enviada em 04/06/2021
A lei da vacinação obrigatória implantada, em 1904, pelo diretor de saúde pública Oswaldo Cruz, devido os casos crescentes de varíola na época, embora aplicada de forma autoritária, tinha como objetivo difundir a forma mais eficaz de combater as doenças: a prevenção. Ao longo do tempo, com a cobertura vacinal da população, tornou-se possível a erradicação de muitas doenças letais. Entretanto, contemporaneamente, o Brasil tem enfrentado o reaparecimento dessas patologias que já haviam sido controladas. Isso ocorre tanto pela falta de conhecimento por parte da população quanto pelas desigualdades sociais presentes na nossa nação.
Em primeiro lugar, é cabível citar a falta de conhecimento de parcela da sociedade acerca da importância da vacinação, atitude importante no exercício da cidadania. De acordo com dados da OMS, de 2011, 1 em cada 5 crianças ainda não são imunizadas com vacinas e cerca de 1 milhão e meio morrem todos os anos devido a doenças que poderiam ser prevenidas. Nesse contexto, um dos motivos para essa estatística é a resistência de pais em levarem seus filhos aos postos de vacinação, por não acreditarem na eficiência dessa profilaxia. Nessa perspectiva, a queda dos índices de cobertura vacinal, por falta de informação, tem provocado o reaparecimento de mazelas que estavam erradicadas.
Em segundo lugar, é notável que a desigualdade social colabora com a persistência da adversidade. De acordo com o site “Cotidiano”, no Brasil, o surto mais recente, até 2015, foi registrado no Ceará, com 161 casos nordestinos de sarampo. Nesse sentido, percebe-se que a doença reemerge, primeiramente, em regiões mais subdesenvolvidas do país. Segundo Ariano Suassuna, há uma injustiça secular que dilacera o nosso país em dois: o país dos privilegiados e dos despossuídos. Sob tal perspectiva, as condições de vida de populações pobres, com a precariedade do saneamento básico, falta de água tratada concomitantemente com a rejeição da vacinação, colaboram com o retorno e propagação dessas doenças que já eram controladas.
Destarte, medidas precisam ser tomadas a fito de combater o revés. É imperativo que o Ministério da Saúde invista na conscientização populacional na prevenção de doenças, por meio de campanhas publicitárias em todos os veículos de informação, com o objetivo de difundir o conhecimento sobre a importância coletiva da vacinação, desmitificando qualquer “fake news” do movimento antivacinação. Em adição, cabe às Secretarias Municipais buscarem melhorias nas infraestruturas de bairros mais pobres, por meio do investimento nas condições de saneamento básico e fornecimento de água tratada para todos, a fim de diminuir a proliferação dessas patologias reemergentes. Assim, o Brasil abrangerá o direito á saúde a todos, de forma democrática, unindo os despossuídos aos privilegiados.