O reaparecimento de doenças erradicadas no Brasil
Enviada em 28/07/2021
No ínicio do século XX, foi instaurada uma lei que obrigava a vacinação contra a varíola, devido o alto número de casos e mortes pela doença, entretanto, diante de falsas notícias e repressão policial, a população desconfiada promoveu uma revolta contra essa obrigação. Atualmente, a leitura histórica sobre a Revolta da Vacina mostra a importância de ações conciliadoras e didáticas pelo governo, entretanto, os mesmos erros de desinformação e falta de investimento na saúde pública continuam a ocorrer nos dias de hoje, levando ao reaparecimento de doenças antes erradicas no Brasil.
Inicialmente, é importante destacar que a informação tem papel primordial na área da saúde. Por isso, o avanço das tecnologias de comunicação possibilitou melhoras na qualidade de vida das pessoas, trazendo autonomia no autocuidado e higiene pessoal. Todavia, o acesso a tais tecnologias é desigual, e alguns grupos sociais recebem parcialmente informações básicas de saúde, o que leva a ignorarem cuidados simples como uso de camisinha- essencial na prevenção de IST’s. Além disso, há uma grande onda de desinformação causadas pelas chamadas “fake news” -notícias falsas- tais como a associação da vacina da Triplice Viral ao autismo, o que levou a uma redução da cobertura vacinal para esses vírus. Em consquência disso, novos casos de doença antes erradicadas ou controladas reaparecem no país, como sífilis e sarampo.
Ademais, problemas ambientais e descaso com a infraestrutura sanitária também afetam a recorrência de doenças erradicadas. Segundo jornal da USP, especialistas ambientais relatam uma relação direta entre o rompimento da barragem em Mariana, Minas Gerais, com o reaparecimento da Febre amarela na região sudeste do Brasil, devido a desequilíbrio nas cadeias alimentares que favoreceu a propagação do mosquito transmissor. Esse problema deveraria ter sido evitado por meio de investimentos na recuperação ambiental e em infraestrutura de saneamento. Os mesmos investimentos são necessários aos mais de 100 milhões de brasileiros que, segundo Intituto Trata Brasil, não possuem esgoto tratado e, portanto, ficam expostos a doenças como cólera e dengue, que já foram controladas mas, devido as circunstâncias, reaparecem ocasionalmente.
Em suma, a saúde dos brasileiros se encontra fragilizadas e vulnerável a doenças já erradicadas. Portanto, o governo federal deveria investir na promoção do conhecimento de saúde pública por meio de aulas abertas ou seminários em UBS e centros culturais que abordem temas sobre doenças, profilaxias e higiene pessoal, afim de conscientizar a população sobre seu próprio bem-estar e também combater a desinformação desse assunto tão primordial. Assim, o Estado conseguirá combater definitivamente qualquer doença, além de garantir a autonomia do povo sobre sua própria saúde.