O reaparecimento de doenças erradicadas no Brasil

Enviada em 24/08/2021

Segundo a ativista norte-americana Helen Keller, “Não há barreiras que o ser humano não possa transpor.” Em consonância com o pensamento de Keller, verifica-se que, no Brasil, o reaparecimento de doenças erradicadas comporta-se como uma barreira à preservação da saúde de, sobretudo, crianças, embora ela seja um obstáculo transponível. Em vista disso, faz-se necessário discutir as causas desse problema, que são informacionais e governamentais, a fim de solucioná-lo.

Dessa forma, em primeira análise, precisa-se apontar a falta de infraestrutura que dificulta a superação do impasse. Nesse sentido, a filósofa alemã Hannah Arendt defendeu que o espaço público fosse preservado para assegurar as condições da manutenção da cidadania. Logo, infere-se que, sem infraestrutura pública de qualidade, o cidadão é prejudicado. Nessa lógica, nota-se a presença marcante desse aspecto no que tange ao retorno de doenças antes erradicadas, uma vez que a falta de profissionais, medicamentos e manutenção dos postos de saúde revela a falta de investimentos na infraestrutura para a saúde pública no país. Por conseguinte, esse descaso com os direitos dos cidadãos favorece a reemergência de doenças já extintas no Brasil.

Ademais, percebe-se que o negacionismo contribui para a irresolução do problema. Na Revolta da Vacina, como ficou conhecida, a população do Rio de Janeiro do início do século XX, assustada com a imposição da vacinação, resistiu violentamente à imunização forçada. Analogamente, é comum que pessoas neguem se vacinar por diversos motivos, sejam eles religiosos, pessoais etc. Entretanto, essa recusa abre caminhos para o contágio dessas pessoas e familiares, propiciando, assim, o reaparecimento de doenças erradicadas no Brasil. Como consequência, afeta-se negativamente a sociedade como um todo.

Portanto, é imprescindível combater esses obstáculos. Para isso, é preciso que ONGs de apoio à causa, em conjunto com a mídia, conscientizem a população por meio de campanhas, nos canais de comunicação em massa, que possuem vasto alcance, sobre a importância de imunizar-se e de exigir do poder público melhorias na infraestrutura, a fim de mobilizar as comunidades em prol da completa autoimunização, bem como da preservação da infraestrutura existente e da exigência de novos investimentos. Desse modo, é possível que a máxima de Keller seja comprovada no Brasil.