O reaparecimento de doenças erradicadas no Brasil
Enviada em 01/09/2021
No livro “Carrie a Estranha”, do autor Stephen King, a mãe de Carrie é uma extremista religiosa, que se recusa a aceitar diversas novidades da atualidade, interferindo diretamente na vida de sua filha. De maneira análoga, na atual conjuntura social brasileira, existem pessoas que se recusam a aceitar novidades científicas, como a vacinação, o que possibilita o renascimento de doenças erradicadas. Dentre os fatores que evidenciam essa problemática é possível citar a ineficiência de políticas públicas voltadas aos planos de imunização. Além disso, o negacionismo corrobora o agravamento do cenário descrito. Portanto, urgem políticas públicas para amenizar esse preocupante quadro.
De acordo com a realidade supracitada, é relevante ressaltar, de início, que há negligência das ações do Poder Público no que se refere às campanhas de vacinação. Consoante o pensamento aristotélico, presente na obra “Ética a Nicômaco”, é dever do governo garantir a integridade social. Contudo, percebe-se que essa vertente não transcende o postulado filosófico, uma vez que o Estado é falho e os planos de imunização não estão sendo efetuados de maneira correta, pois não há o incentivo para que a população se vacine contra doenças que já tinham sido erradicadas, como o sarampo, o que possibilita os seus ressurgimentos. Em virtude disso, é inaceitável que essa questão ainda perdure, tendo em vista que a população estará em risco, pela possibilidade de novos surtos dessas doenças.
É imprescindível pontuar, ademais, que o negacionismo é outro aspecto preocupante. Nesse contexto, o cenário descrito pode ser comprovado pela teoria inserida na obra “Consequências da Modernidade”, do sociólogo Anthonny Giddens, cujo conceito revela a existência de uma sociedade moldada por valores questionáveis. Segundo essa linha de raciocínio, pessoas se recusarem a tomar a vacina por não acreditarem na ciência, haja vista que esse pensamento é totalmente errôneo e prejudicial para a sociedade, visto que existem diversas evidências que comprovam a eficácia das vacinas e a falta delas possibilita o retorno de enfermidades já combatidas. Sendo assim, infelizmente, essa problemática se torna cada vez mais preocupante, já que essas mazelas podem matar milhares de pessoas.
Destarte, após observar a realidade apresentada, são improrrogáveis ações governamentais. Nesse sentido, o Governo Federal, por intermédio do Ministério da Saúde, órgão responsável pela vacinação, deve redefinir as políticas públicas. Essa ação será realizada em parceria com o Ministério da Educação, pela maior propagação de notícias que incentivem a população a se vacinar, com a explicação dos seus benefícios, além da expansão dos planos de vacinação, a fim de diminuir o número de pessoas que recusam-se a serem vacinadas. Dessa forma, problemas como o de “Carrie a Estranha” serão amenizados.