O reaparecimento de doenças erradicadas no Brasil

Enviada em 02/09/2021

Em 1904, no Rio de Janeiro, aconteceu a Revolta da Vacina, na qual, devido à imensa falta de acesso à informação, originaram-se os primeiros movimentos anti-vacina do país. À vista disso, mesmo após séculos, tal ideologia ainda faz parte do pensamento de muitos brasileiros — o que traz graves consequências. Nesse sentido, em razão de uma educação deficitária e de uma má influência midiática, emerge um grave problema: o reaparecimento de doenças erradicadas no Brasil.

Diante desse cenário, vale destacar que a baixa qualidade da educação é algo que viabiliza a falta de cuidados. Nesse viés, consoante Immanuel Kant, o homem tem seu intelecto formado de acordo com o que lhe é ensinado. Sob essa lógica, se há um obstáculo social, há uma lacuna educacional. Sendo assim, no que tange à má conduta do povo em relação às doenças, nota-se que a escola não cumpre o seu papel no sentido de prevenir e reverter os impasses coletivos, como a proliferação de doenças já extintas, pois não aborda, de modo efetivo, esse conteúdo nas salas de aula, o que promove uma alienação acerca do tema. Assim, um possível caminho para mudar essa situação calamitosa é usar o raciocínio de Kant: garantir ao país um bom ensino para se obter um bom nível intelectual.

Nesse contexto, é importante salientar que a mídia contribui à alienação de muitos que não possuem conhecimento e senso crítico. Sob esse ângulo, conforme o jornalista Carlos Heitor Cony, a internet é poluidora, não no sentido ecológico — mas no espiritual. Diante disso, ao se analisar muitos conteúdos presentes nos veículos de informação, percebe-se a presença de inúmeras notícias falsas, dentre as quais, uma boa parcela fortalece o movimento anti-vacina, o que origina medo e desconfiança da ciência por parte das pessoas, principalmente, daquelas que não tiveram acesso educacional. Desse modo, observa-se, na pandemia do coronavírus, várias mensagens falsas que causaram alvoroço no Whatss App, por exemplo, uma que viralizou ao afirmar que todos os que usaram a AstraZeneca iriam morrer em dois anos. Logo, enquanto a desinformação for a regra, a qualidade de vida será exceção.

Infere-se, portanto, que o Ministério da Educação — regulador das práticas educacionais do país — desenvolva um projeto pedagógico, o qual abordará sobre os principais entraves do século XXI, como o movimento anti-vacina, por meio da adição de uma nova matéria na grade escolar, a fim de garantir às novas gerações mais senso crítico. Por sua vez, o Ministério da Saúde, com a mídia, deve promover oficinas virtuais, por intermédio das redes sociais, como o YouTube, as quais contarão com os conselhos de médicos e enfermeiros acerca da importância da vacinação, com o intuito de levar informação à nação verde-amarela. Dessa forma, espera-se frear a volta de doenças já erradicadas.