O reaparecimento de doenças erradicadas no Brasil

Enviada em 17/09/2021

Debate-se, correntemente, sobre o risco do resurgimento de doenças erradicadas na sociedade brasileira. Esse é um assunto epidemiológico bastante importante de se discutir, visto que é uma ameaça a saúde pública. Não só as dificuldades de amplificação do conhecimento sobre tais doenças, como também os riscos da desinformação, são fatores que influenciam a criação de um panorama desfavorável para o convívio saudável em sociedade.

Desde o início das pesquisas contra a varíola realizadas pelo inglês Edward Jenner, no século XVIII, houve um ampliamento científico e tecnológico para criação de métodos no combate de doenças. Todavia, o investimento público em estudos e pesquisas é imprescindivel para o desenvolvimento de novas tecnologias farmaceuticas. Contudo, no Brasil, a margem de aplicação de capital nas áreas de pesquisa é muito baixa, e está em declínio. Segundo dados do MCTI(Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações), no ano de 2020, o investimento científico representou 16% do que foi investido em 2014. Dessa forma, é possível evidenciar a falta do comprometimento público não só em relação ao desenvolvimento salubre, mas também educacional da nação

De outra forma, com o  crescimento do movimento antivacina, doenças erradicadas como o sarampo passam a ter mais ocorrência. Segundo o Instituto Fio Cruz, no ano de 2019, o estado de São Paulo registrou 484 casos da doença. Com a propagação de “fake news” nas redes sociais, emerge um risco a saúde pública, uma vez que ao disseminar mentiras na internet muitos cidadãos desinstruidos passam à acreditar e compartilhar tais mensagens, e assim há formação de uma rede de desinformação. Dessa forma, o cenário se torna mais propício para a formação de epidemias. Similarmente, pode-se aludir tal cenário ao “Mito da Ceverna” de Platão, onde as pessoas preferem viver na ignorância do que terem conscientes de suas atitudes.

Sendo assim, é possível perceber de que maneira as doenças erradicadas podem reaparecer no Brasil, negligenciando o desenvolvimento tecnológico e científico, e dando espaço para desinformação. Dessa forma, cabe ao Ministério da Educação e o MCTI, por meio da ampliação de verbas invistam em centros de pesquisas, afim de que haja progresso tecno-científicos no Brasil. De maneira similar, o Ministério da Comunicação deve por meio de propagandas em rádios, televisões e redes sociais, conscientizar a população dos riscos que as “fake news” proporcionam para o bem-estar da sociedade, e como se deve reagir diante delas, sempre verificando a veracidade de suas fontes. Dessa forma, os cidadãos estarão preparados para lidar com mensagens de cunho duvidoso, como a ineficácia da vacina. Só então, haverá uma sociedade consciente e que promove o avanço.