O reaparecimento de doenças erradicadas no Brasil
Enviada em 20/09/2021
No ano de 2019, o estado de Minas Gerais registrou, aproximadamente, 130 casos de sarampo, doença que havia sido eliminada no ano de 2016, mas que voltou a assolar o país. Sob esse viés, o reaparecimento dessa e de outras doenças erradicadas no Brasil, configura um preocupante problema. Tal conjuntura é intensificada pela falta de vacinação ou pela precariedade da oferta de saneamento básico. Dessa forma, medidas são fundamentais para alterar essa realidade.
Em primeira análise, cabe pontuar que a ausência de vacinação em massa contribui para a emersão de patologias controladas. A Revolta da vacina, ocorrida em 1904, foi um movimento popular contra a vacinação obrigatória instaurada pelo governo, haja vista que a população não possuía conhecimento acerca desse tipo de imunização. Todavia, hodiernamente, uma parte dos cidadãos ainda não tem acesso a informações sobre a importância da vacinação em massa, o que resulta no crescimento do movimento antivacina e consequentemente, o país fica suscetível ao retorno de doenças antes erradicadas - a exemplo do que ocorreu em Minas Gerais. Com efeito, observa-se o aumento da morbidade populacional, juntamente com o comprometimento da eficácia dos imunizantes atuais.
Posteriormente, é tácito elencar que a precária condição dos serviços sanitários básicos amplia o problema. Conforme a Constituição Federal de 1988, o Estado deve garantir a prevenção, promoção, proteção e recuperação da saúde de todos os brasileiros. Entretanto, essa determinação não é efetivamente posta em prática, tendo em vista a ausência de serviços de saneamento básico, tais como coleta de esgoto e acesso a água potável, em diversas regiões brasileiras. Tal circunstância prejudica a saúde dos indivíduos, uma vez que esses locais favorecem o ressurgimento de enfermidades que haviam sido eliminadas e, em consequência disso, sobrecarregam o Sistema Único de Saúde. Desse modo, é imprescindível a proposição de medidas capazes de atenuar essa situação.
Portanto, ao analisar a não vacinação em massa e a falta de serviços sanitários, nota-se a influência desses no entrave social, o que exige um plano de ações eficientes para amenizar o problema. Posto isso, compete ao Ministério da Saúde, em parceria com o Ministério da Comunicação, por meio de investimentos governamentais, desenvolver campanhas de conscientização, tanto em escolas, quanto por meio das mídias sociais, que visam informar detalhadamente a população sobre os benefícios de tomar vacina e como o imunizante age dentro do corpo, evitando assim a propagação de informações falsas que contribuem com o movimento antivacina. Ademais, é responsabilidade das Secretárias Municipais ampliarem a oferta de serviços essenciais, como coleta de lixo, água potável, tratamento de esgoto, entre outros, que impedem a proliferação de determinadas patologias.