O reaparecimento de doenças erradicadas no Brasil
Enviada em 20/09/2021
A Constituição Federal de 1988, lei fundamental e suprema do Brasil, assegura a todos o direito à saúde. Na realidade atual, não há o cumprimento dessa garantia, tendo como uma das consequências o reaparecimento de doenças antes erradicadas. Isso acontece devido à desigualdade social e, também, à desinformação da população.
Nesse contexto, é importante ressaltar que a omissão estatal tem direta relação com a desigualdade social. Se comportando como uma “Instituição Zumbi” — que, segundo Zigmund Bauman, é aquela que apesar de ainda existir, perdeu sua função social —, o Estado endossa a desigualdade de acesso ao saneamento básico e ao atendimento médico. Dessa forma, a população que não tem acesso à esses serviços fica mais suscetível a contrair doenças que aproveitam tais lacunas estruturais para se proliferarem.
Além disso, a falta de conhecimento da população sobre as doenças e medidas profiláticas somente agrava a situação. No século XX, quando a vacina da varíola se tornou obrigatória no Brasil, teorias conspiratórias fizeram com que a população não quisesse se vacinar. Esse episódio, que ficou conhecido como “Revolta da Vacina”, pode ser considerado um exemplo das graves consequências da falta de informações corretas. Assim, a crônica ignorância da população auxilia no reaparecimento de doenças como o sarampo, que, apesar de haver campanha de vacinação contra essa enfermidade, ainda se encontra em território brasileiro.
Portanto, medidas são necessárias para amenizar o quadro atual. Desse jeito, urge que o Estado crie, por meio de investimentos públicos, propagandas a fim de conscientizar a população. Essas propagandas devem reafirmar a importância da vacinação, da higiene e de outras medidas profiláticas. Ademais, o governo deve ampliar o acesso ao saneamento básico e ao atendimento hospitalar de qualidade à toda a população brasileira, para que assim o reaparecimento de doenças erradicadas não seja mais a realidade vigente.