O reaparecimento de doenças erradicadas no Brasil
Enviada em 27/10/2021
O intenso processo de globalização, nas últimas décadas, contribuiu de modo significativo para a Revolução Tecnocientífica e Informacional, promovendo a aproximação entre povos, culturas e etnias diversas no globo terrestre; fenômeno conhecido como aldeia global. Entretanto, esse progresso não foi homogêneo nas relações interpessoais, já que, no Brasil, há uma enorme disparidade ainda quanto a menstruação ser considerada um item básico de higiene pessoal para todas as mulheres. Nesse contexto, infalivelmente, a pobreza menstrual é um desafio a ser combatido o qual é decorrente não só da negligência gorvernamental, mas também do preconceito da sociedade.
A Constituição Cidadã de 1988, considera itens essenciais em cestas básicas para que sejam isentos de impostos cobrados pelo Governo Federal, no entanto, um item básico e necessário todos os meses pelas pessoas que menstruam-o absorvente- não é tido pela lei como produto de higiene básica. Consoante o filósofo Aristóteles no livro “Ética a Nicomâco”, a política serve para garantir a felicidade dos cidadãos, logo, verifica-se que esse conceito encontra-se deturpado no Brasil, uma vez que não oferece condições para que todos consigam ter uma vida com saúde adequada e faz com que as pessoas tenham que utilizar jornal, pedaços de pano, folhas de árvores, miolo de pão ou papel higiênico.Sendo lamentável que isso ocorra uma vez que o não acesso ao absorvente por questões financeiras relacionadas diretamente como atividades diárias essas pessoas, o que acarreta ainda mais na compravação das desigualdades e quanto a globalização tem sido heterogênea.
Somado a isso, a menstruação ainda é tratada como um tabu, pois as mulheres ainda sentem vergonha de comprar absorventes, o que acarreta em muitas meninas crescerem e passarem por toda a fase da primeira menstruação sem nunca ter conversado com familiares e amigos sobre o assunto. No qual para as pessoas que não têm acesso a esse item básico de higiene é ainda mais preocupante, o que leva, muitas vezes, a evasão escolar nesse período, por exemplo. Entretanto, segundo o filósofo Michel Foucault, é preciso mostrar como as pessoas que são mais livres do que pensam para quebrar pensamentos errôneos construídos em outros momentos históricos. Assim, uma mudança nos valores da sociedade é fundamental para combater o tabu existente quanto a menstruação.
Cabe, portanto, ao Ministério da Saúde e o da Educação, criarem um projeto para ser desenvolvido nas escolas e nas comunidades, mediante a palestras, debates e atividades lúdicas a respeito do que é a menstruação e seus direitos para tornar o absorvente um item de higiene básica- uma vez que ações culturais coletivas têm um imenso poder transformador- afim de que a comunidade em geral possa exijir do Estado o cumprimento efeitvo para que a pobreza menstrual seja combatida.