O reaparecimento de doenças erradicadas no Brasil
Enviada em 22/10/2021
“Construimos muitos muros e poucas pontes”. Essa afirmação do teólogo e cientista inglês Isaac Newton pode ser facilmente aplicada ao comportamento da sociedade diante do reaparecimento de doenças erradicadas no Brasil, já que esse ressurgimento é marcado na coletividade por concentrar a construção de barreiras e a escassez de medidas para sua erradicação. Assim, torna-se claro que esse panorama tem origem através da omissão dos órgãos públicos e de hábitos sociais.
Nesse sentido, é preciso, de início, discorrer acerca da displicência das organizações públicas. Para tanto, faz-se oportuno rememorar o pensamento do insigne sociólogo polonês Zigmunt Bauman, segundo o qual algumas instituições deixaram de exercer sua função, operando como “zumbis”. À luz dessa lógica baumaniana, a atitude negligente expõe a face zumbificada do Ministério da Saúde, dado que embora seja responsável pela promoção e recuperação da saúde da população, essa instância se omite de sua função social. Isso discorre, devido a uma situação indigência em diferentes regiões brasileiras entremeadas com a falta de orientação e prevenção de doenças por boa parte de instituições públicas como as Ubs, os hospitais e a vigilância sanitária.
Outrossim, é importante pontuar, um papel passivo da sociedade como impulsionador desse revés. Isso acontece porque a normalização do reparecimento dessas doenças, são motivadas pela despreocupação populacional, contribuindo para a perpetuação de um comportamento inativo do corpo social diante da falta de mobilizações pelo combate aos focos de mosquitos transmissores de Dengue , Zica e Chikungunya, fortalecendo então a disseminação dessas enfermidades. Essa situação, pode ser simbolizada pelo conceito proposto na “Teoria Habitus”, cunhado por Pierre Bourdieu, sociólogo francês, que é definido como habitualidade da sociedade diante situações, mesmo que perniciosas, a partir de um conjunto de crenças e valores enraizados no imaginário coletivo, tal como acontece no reaparecimento de doenças erradicadas.
Portanto, é notória, a relevância de fatores educacionais na temática supracitada. Nesse viés, cabe as escolas sendo responsáveis pela aprendizagem de conhecimento, habilidades e valores necessários à socialização do individuo, em parceria com profissionais de saúde, orientar a população acerca do ressurgimento de doenças e medidas para minimizar o contágio, isso pode ser feito, por meio de palestras e debates nas salas de aula, de maneira que possa construir uma consciência coletiva, reduzindo assim, as taxas de propagação dessas doenças. Ademais, cabe ao Ministério da Saúde alertar a população sobre com orientações e maneiras de prevenção contra essas doenças, contando com diálogos esclarecidos nas Ubs. Dessa forma, será possível construir mais pontes e derrubar muros. associados ao reaparecimento de doenças erradicadas, refutando a premissa de Newton.