O reaparecimento de doenças erradicadas no Brasil
Enviada em 04/11/2021
Ainda que a África e a América do sul compartilhem incontáveis semelhanças climáticas, a incidência de doenças típicas de clima tropical é consideravelmente maior no continente africano, fenômeno que decorre das particularidades socioeconômicas de ambos os lugares. Já no Brasil, a despeito de um histórico descaso com a justiça social, um trabalho admirado por toda a comunidade internacional tem sido feito em relação à saúde pública, contudo, ao passo que o país retorna ao mapa da miséria, doenças já consideradas erradicadas, também, têm retornado, como é o caso do sarampo. Dados tais fatos, é plausível afirmar que o reaparecimento de tais comorbidadess no Brasil deve-se à crise econômica e às políticas de justiça social adotadas no país.
Em primeiro lugar, é importante ressaltar a relação entre contaminações em massa e a insegurança alimentar. Nesse caso, é memorável o trágico vídeo que viralizou na internet após recente matéria do jornal digital “O Globo” que traz famílias brasileiras disputando por restos de alimento em um caminhão de lixo. Esse caso é simbólico considerando que o sistema imunológico humano depende significativamente da ingestão adequada de nutrientes, ou seja, à medida que episódios como o citado tornam-se frequentes, vírus e bactérias, antes controlados, voltam a circular com maior facilidade, dada a baixa imunidade coletiva da população.
Além disso, outro fator que chama a atenção é a desinformação. Nesse âmbito, o que ganha destaque é o movimento antivacinação que, com discursos em apoio proferidos, inclusive, pelo presidente Jair Bolsonaro, tem crescido estratosfericamente. A relação com a miséria, nesse caso, se dá pelo fato de a pobreza historicamente aumentar as taxas de evasão escolar e, sendo a educação ferramente de libertação de um povo da falaciosidade, segundo Paulo Freire, seu enfraquecimento culmina numa nação alienada e, assim, facilmente enganada por movimentos ideológicos que precarizam a saúde pública, como o citado.
Analisados tais fatos, é visível que urge no país uma política econômica que, parafraseando a economista Conceição Tavares, foque em estabilizar, crescer e distribuir simultâneamente e, assim, promover a justiça social. Para tanto, visando o combate às doenças erradicáveis, o Ministério da Economia deve elaborar políticas de arrecadação e redistribuição de renda, como a reforma agrária que, de imediato, combateria diretamente a miséria e a insegurança alimentar. Desse modo, com o povo provido de saúde e dignidade, será possível a contenção de doenças já erradicadas e, não obstante, o crescimento generalizado da nação.