O reaparecimento de doenças erradicadas no Brasil

Enviada em 02/11/2021

O romance filosófico “Utopia” - escrito pelo inglês Thomas Morus no século XVI - retrata uma civilização perfeita e idealizada, na qual a engrenagem social é altamente segura e desprovida de conflitos e problemas. Tal fictícia, mostra-se distante da realidade contemporânea visto que o reaparecimento de doenças erradicadas torna-se um problema a ser combatido no Brasil. Esse panorama lamentável ocorre não só em razão dos baixos índices de vacinação, mas também da falta de informações, atrelada ao negacionismo científico.

Seguindo essa linha de pensamento, é possível afirmar que a queda no número de vacinados, principalmente entre crianças, está entre os principais desafios da problemática. As vacinas contém partes enfraquecidas ou inativas de um determinado antígeno, fazendo com que o corpo desencadeie uma resposta imunológica àquele patógeno. Apesar da importância individual e coletiva, em 2018, consoante o Ministério da Saúde, a vacinação infantil teve o menor índice imunização dos últimos 16 anos, tendo todas as vacinas abaixo da meta de adesão.

Além disso, os movimentos antivacina, juntamente com uma pouca procura por informações médicas / científicas corrobora com o reaparecimento de doenças que já haviam sido erradicadas. Com a publicação do artigo, em 1998, por Andrew Wakefield - pesquisador e gastroenterologista -, associando a vacina Tríplice Viral ao autismo, os grupos antivacinação começaram a crescer. Porém, o médico Daniel Jaroviski - pediatra, infectologista e secretário do Departamento de Imunização da Sociedade de Pediatria de São Paulo (SP-SP) - afirma que, apesar de as doses conterem os chamados vírus vivo, não há chance da criança contrair a doença.

Infere-se, portanto, a necessidade de mitigação dos entraves em prol da diminuição do reaparecimento de doenças erradicadas no Brasil. Assim, cabe ao Ministério da Saúde, mediante o aumento do percentual de investimento, o qual será proporcionado por uma alteração na Lei de Diretrizes Orçamentárias, ampliar a adeção da população às vacinas, por meio de palestras ministradas por profissionais na área (como mestres e doutores infectologistas) com o objetivo de controlar as enfermidades que reincidiram. Dessa forma, poder-se-a concretizar a “Utopia” de Morus na sociedade brasileira.