O reaparecimento de doenças erradicadas no Brasil
Enviada em 18/11/2021
A série “The hundred”, atualmente divulgada pela Netflix, introduz uma temática acerca do problema das epidemias e doenças infectocontagiosas no planeta, abordando, também, seus impactos nas dinâmicas populacionais. Fora da ficção, é notório que a obra possui, infelizmente, verossimilhança no que tange a uma questão de altíssima relevância na sociedade brasileira atual: o reaparecimento de doenças erradicadas no país. Diante desse cenário, é correto perceber que a inércia governamental e o movimento antivacinação são fatores que dão manutenção à problemática citada.
Nesse contexto, denota-se que o Estado brasileiro tem a função de atenuar as endemias reemergentes, conquanto ele não age com esse propósito. Desse modo, segundo a Constituição Federal de 1988, é dever do âmbito governamental defender sua população de possíveis doenças, condicionando a ela o acesso a uma saúde de qualidade, porém, fora desse pressuposto legal, não é assim que ocorre. Sob essa ótica, é imperativo que, antes da pandemia do covid-19, o Diário Oficial da União (DOU) demostrava uma anual redução da verba orçamentária do Ministério da Saúde, o qual é responsável, sobretudo, por lutar contra a volta de doenças previamente mitigadas dentro da nação, tais como tuberculose ou meningite. Em suma, é perceptível que o descompromisso governamental em melhorar e democratizar o acesso sanitário no país implica, mormente, na perpetuação do problema.
Ademais, deve-se entender que a falta de injunção frente ao tema é outro pilar responsável pelo ressurgimento de doenças controladas. Nessa lógica, é perceptível que o movimento antivacinação tem origem do senso comum e da falta de conhecimento científico entre as camadas da sociedade, haja vista que, sem comprovação científica, pessoas continuam acreditando que a vacina e outros medicamentos trazem prejuízos à saúde. Dessa maneira, torna-se passível de compreensão que, ao possuir adeptos no Brasil, a não vacinação induz o reaparecimento de doenças já atenuadas, as quais, por consequência, continuam a impedir o desenvolvimento do país. Em síntese, acabar com a desinformação sanitária dentro do território nacional é uma necessidade brasileira atual.
Destarte, em vista dos fatos supracitados, é notória a necessidade de intervenção. Logo, a fim de combater a reemergência de doenças no país, urge ao Ministério da Saúde promover programas educativos que objetivem informar e engajar a população sobre a vacinação e sobre a luta contra tal problemática, por meio de propagandas em veículos de comunicação. Isso pode ocorrer, por exemplo, com o aumento da remessa monetária enviada da União para tal Ministério, para que, por fim, não só aumente a eficiência dos hospitais no Brasil, mas também para que se engaje mais a população quanto ao combate das enfermidades dentro do Território Tupiniquim.