O reaparecimento de doenças erradicadas no Brasil
Enviada em 11/06/2022
A Organização Mundial da Saúde (OMS) define o termo saúde como um estado de bem-estar físico, psicológico e social. Neste sentido, a volta de enfermidades erradicadas no Brasil atinge questões que vão além da condição física, mas também a mente e a noção de pertencimento social. Logo, problemas como a falta de saneamento básico e de informação sobre o impacto da ação individual no coletivo precisam de discussões adequadas para que se busquem soluções.
Em primeiro plano, vale destacar o desconhecimento popular em relação ao autocuidado. Infelizmente, não há uma disseminação de informação efetiva do governo sobre a responsabilidade do cidadão nos cuidados individuais, entretanto, que irão influenciar toda a comunidade, como a adesão a vacinas ou a limpeza continua de recipientes que acumulam água, o que irá prevenir diversas patologias. Desse modo, a pessoa não se vê como um agente efetivo no combate de doenças e se limita a designar tal tarefa ao sistema público de saúde. Segundo a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), a partir de 2016, a taxa vacinal de Sarampo e Poliomielite - doenças até então controladas - tem reduzido de forma contínua, o que gerou o reaparecimento dessas doenças e mostra a desinformação popular.
Em segunda análise, a ausência do saneamento básico em diversas regiões contribui para a volta de enfermidades. De forma histórica, o Brasil recebe os maiores investimentos na região litorânea - devido sua colonização - e , por isso, as regiões periféricas e interioranas são desassistidas, o que culmina a falta de amparo estatal em recursos básicos, como o saneameto. Tal realidade fica evidente pelos dados da Instituição Trata Brasil, os quais relatam que 50% do país, em média, não possui tratamento de esgoto, além de reforçar que doenças controladas de forma nacional, como Cólera, tem maior índice nesses locais.
Portanto, é necessário que o conceito de saúde seja implementado. Sendo assim, o Ministério da Saúde, em parceria com instituições privadas de investimento, deve mapear as regiões periféricas com menores taxas de saneamento e implantá-lo. Tal ação ocorrerá por meio de dados fornecidos pelas prefeituras - de forma remota - e aplicação de capital para o tratamento da água e esgoto, a fim de gerar dignidade, saúde e voltar ao controle dessas patologias.