O tabu em relação à educação sexual no Brasil e suas implicações para os jovens
Enviada em 30/03/2022
O seriado “Self Made”, baseado em fatos, conta a história de uma mulher que sofreu muito com o preconceito social por ser uma empreendedora negra e independente do marido financeiramente. Não distante da série, no Brasil hodierno, há um tabu relacionado à educação sexual e suas implicações para os jovens. Dessa maneira, faz-se necessário um olhar crítico diante desse obstáculo que tem a insuficiência educacional e a desigualdade social como principais causas.
Nesse sentido, há uma triste ausência educacional presente. Djamila Ribeiro, escritora e filósofa, diz que: “É preciso tirar um assunto da invisbilidade e atuar sobre ele para que soluções sejam promovidas.” No mesmo contexto, nota-se que há uma lacuna didática, pois o tema é silenciado pelas escolas, uma vez que pouco ou quase nunca se fala sobre sexo e suas características nas salas de aula, seja por falta de capacitação profissional, seja por medo da reação de pais e alunos. Logo, urge que os colégios tirem o assunto do invisível e atuem sobre ele, como defende a pensadora.
Outrossim, observa-se a desigualdade como um fator atuante no cenário. O filme, “O poço”, disponível na plataforma digital “Netflix”, mostra um contraste imenso na distribuição alimentar do elenco do filme, uns comiam muito, enquanto outros nem se alimentavam. Sob esse viés, no que se refere à censura da educação sexual, constata-se que há uma limitação gigante trazida pela diferença das classes populacionais, visto que os lugares mais pobres são maracados pela falta de internet e aparatos tecnológicos, como “smartphones” e televisões, por exemplo, os quais serviriam como fontes de conhecimento e propagação do tema.
Em síntese, são necessárias medidas capazes de mitigar a problemática. Para tanto, o Estado deve, por meio de diretrizes de investimento, implementar polos educacionais gratuitos nas cidades pobres, os quais tragam conhecimento completo sobre sexo aos jovens e adolescentes locais, para que a desigualdade social não seja mais um motivo ativo. Deve, inclusive, tornar obrigátorio, em todas as instituições de ensino, a inclusão de uma disciplina específica de ensino sexual que conscientize todos os alunos acerca da temática. Assim, o tabu será apenas parte da série.