O tabu em relação à educação sexual no Brasil e suas implicações para os jovens
Enviada em 04/04/2022
Segundo o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), é direito da população infanto juvenil o acesso à educação e à proteção da vida. Contudo, no Brasil, o tabu acerca da educação sexual impede a orientação adequada e a segurança dos adolescentes, o que fere os direitos básicos previstos no ECA. Por conseguinte, tem-se como principais implicações para a população jovem, a gravidez na adolescência e a ocorrência de abusos. Assim, é necessário discutir as consequências do tabu envolvendo a educação sexual para os adolescentes, além de propor meios para implantar o ensino adequado nas escolas brasileiras.
A priori, a ausência da educação sexual entre o grupo juvenil agrava a questão da gravidez precoce. Dito isto, no filme “Juno”, em que uma estudante acaba engravidando prematuramente, percebe-se que a não orientação adequada dos jovens gera consequências que comprometem sua qualidade de vida. Neste cenário, a falta de um espaço de debate sobre sexualidade e métodos contraceptivos, pautas da educação sexual, contribui diretamente para o aumento de casos de gestação prematura, situação decrita na obra fílmica, o que compromete a progressão da vida adolescente e a saúde dos jovens.
Em segunda análise, a lacuna na educação sexual contribui com a ocorrência de abusos. Neste contexto, no filme “Fragmentado”, em que uma das personagens é violentada pelo tio durante a infância, percebe-se como a falta de um espaço receptivo de orientação impede a denúncia de abusos sexuais, fato que estimula o silêncio da vítima, e acarreta na impunidade do agressor. Portanto, a identificação de abusos, veiculada pela implementação da educação sexual, proporcionaria um espaço seguro de denúncia, e evitaria a ocorrência de violência contra vulneráveis, como retratado no filme, o que contribui com a preservação da integridade juvenil.
Em síntese, a educação sexual é necessária para a mitigação da gravidez precoce e o auxílio no combate à violência. Dessa forma, o Ministério da Educação deve, por meio da elaboração de uma matriz curricular e da articulação das escolas, implementar a educação sexual nas instituições de ensino, a fim de criar um espaço adequado de orientação e acolhimento. Destarte, haverá a formação de jovens conscientes e que prezarão pelo bem-estar individual e coletivo.