O tabu em relação à educação sexual no Brasil e suas implicações para os jovens
Enviada em 06/04/2022
A novela global “Senhora do Destino” aborda, entre muitas outras, a história da Daiane, uma menina pobre que engravida aos 15 anos de idade. Embora seja ficção, a obra reflete a realidade de milhares de jovens brasileiras que passam em situação similar à da personagem, devido à falta de instrução sobre questões sexuais tanto no ambiente escolar quanto doméstico. Desse modo, é necessária a reflexão acerca das consequências e possível resolução dessa problemática.
Em princípio, cabe destacar a gravidez precoce como resultado direto da falta de informação sobre o assunto no país. Segundo dados do Ministério da Saúde, a cada ano nascem mais de 19 mil filhos de mães entre 10 e 14 anos e, ainda, deve-se ressaltar que a maioria desses casos ocorre em famílias de classes sociais mais baixas, evidenciando os efeitos do abismo social brasileiro. O efeito desse cenário é a evasão escolar, uma vez que essas mães adolescentes não têm a oportunidade de concluir os estudos e continuam, assim, na vulnerabilidade social.
Outro ponto importante é a grande ocorrência de casos de abuso sexual de menores dentro de casa ou por pessoas próximas. No ano de 2018, por exemplo, foi divulgado o relato de uma menina de 12 anos no Tocantins - vítima de estupro pelo padastro -, que apenas denunciou o abuso devido a uma palestra sobre violência sexual na escola. Esse caso, infelizmente, não é um evento isolado e alerta para o risco que as crianças e adolescentes correm diariamente no ambiente onde deveriam estar protegidas. Assim, torna-se necessária a transformação da escola em um lugar seguro e acolhedor para os alunos que sofreram violência sexual.
Infere-se, portanto, a urgência da implementação de práticas que contribuam para a educação sexual. Para isso, é necessário que haja colaboração entre o Ministério da Saúde e o Ministério da Educação na adoção de disciplinas e palestras que visem instruir os alunos sobre práticas sexuais seguras para jovens, como o uso de métodos contraceptivos, a fim de reduzir a incidência da gravidez precoce e garantir a formação escolar. Também é válido estabelecer um sistema de denúncia segura na escola, com o apoio de psicólogos que acolham as vítimas e assistentes sociais que façam acompanhamento familiar. Assim, talvez seja possível evitar que histórias como as de Daiane e da jovem tocantinense se repitam.