O tabu em relação à educação sexual no Brasil e suas implicações para os jovens
Enviada em 08/04/2022
A Constituição Federal de 1988, documento jurídico mais importante do país, prevê, em seu artigo 6º, o direito a educação como inerente a todo cidadão brasileiro. Conquanto, tal prerrogativa não tem se reverberado com ênfase na prática quando se observa o tabu relacionado à educação sexual na sociedade brasileira contemporânea e seus negativos desdobramentos. Nesse viés, cabe analisar a negligência estatal referente a esse revés e seus maléficos impactos.
A princípio, é imperioso notar que a indiligência do Estado potencializa a falta de ensino sexual adequado. Esse contexto de inoperância das esferas de poder exemplifica a teoria das Instituições Zumbis, do sociólogo Zygmunt Bauman, que as descreve como presentes na sociedade, todavia, sem cumprirem sua função social com eficácia. Sob essa ótica, devido à baixa atuação das autoridades, não são tomadas atitudes que visam promover a entrada da pedagogia sexual nas escolas brasileiras, o que deixa os estudantes sem apoio escolar nessa vital área. Nessa perspectiva, para a completa refutação da teoria do estudioso polonês e mudança dessa realidade, faz-se imprescindível uma intervenção estatal.
Por conseguinte, tal omissão governamental tem consequências danosas para o tecido civil. Nesse sentido, a ausência de uma educação voltada para a sexualidade é agravada devido ao tabu presente em muitas famílias acerca do tema. Dessa forma, os jovens, de maneira geral, não recebem auxílio nessa temática das esferas estatais e das esferas familiares. Por isso, percebe-se que o desleixo do governo em assumir seu papel como garantidor dos direitos individuais, e assegurar tal direito aos jovens brasileiros, tem agravado a situação do conhecimento sexual em nossos dias.
Portanto, urge que medidas capazes de mitigar a problemática sejam tomadas. Dessarte, o Estado deve, por meio de maiores investimentos direcionados à educação sexual, promover um ensino de qualidade nas escolas sobre o tema, a fim de proporcionar maior segurança aos nossos jovens quando se trata dessas questões. Assim, consolidar-se-á uma sociedade mais educada, em que o Estado cumpre com as prerrogativas da Magna Carta.