O tabu em relação à educação sexual no Brasil e suas implicações para os jovens

Enviada em 11/04/2022

O atual presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, já afirmou que “quem ensina sexo para a criança é o papai e a mamãe”. Porém, por volta de 90% das denúncias envolvendo violência sexual contra crianças tem como abusador alguém da própria família, segundo dados compilados pelo Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos. Tal fato evidencia que a educação sexual perpassa para além da esfera familiar, já que pode haver um potencial violentador inserido nela.

Nesse sentido, a educação sexual não deve ser considerada como um tabu. Restringir o direito à informação ao jovens é ir contra o que é previsto pelo Estatuto da Criança e do Adolescente, que assegura a esses o aprendizado correto e preventivo sobre a sexualidade. Isso como forma de minar problemas como gravidez precoce, riscos à saúde provocodos pelas Doenças Sexualmente Transmissíveis e violência sexual, capacitando o jovem a identificar tais situações.

Assim, promover a educação sexual não apenas confere uma maior autonomia ao indivíduo, como também contribui para índices socials. A UNESCO realizou 87 estudos ao redor do mundo, comprovando que a educação sexual para jovens reduziu relações arriscadas, aumentou a prevenção e baixou custos no tratamento de HIV, as relações sexuais se iniciaram em idade mais tardia, reduziu a frequência de sexo entre jovens, elevou o uso de contraceptivos e preservativos. Esse estudo demonstra os benefícios da educação sexual para jovens e que tal pauta vai além da esfera familiar, trata-se também de uma temática pública.

Portando, a educação sexual para jovens não deve ser entendida como um tabu e deve ser discutida tanto no âmbito familiar quanto no âmbito da esfera pública. O Ministério da Educação deve instruir às escolas a educação sexual por meio de aulas, reuniões para os jovens e também para as famílias, para que essas se conscientizem mais da importância dessa pauta e contribuam para o debate dentro de suas casas, colaborando em uma parceria estado-sociedade. Por meio dessas ações, a construção cooperativa via Estado e família, a educação sexual deixará de ser tabu, trazendo um maior conhecimento a todos e, consequentemente, diminuiriam as chances de crianças e adolescentes estarem em situações de risco envolvendo a sexualidade.