O tabu em relação à educação sexual no Brasil e suas implicações para os jovens
Enviada em 13/04/2022
No processo de construção da sociedade, o impulso sexual era visto como um comportamento primitivo para uma sociedade civilizada e, por esse motivo, foi limitado. Nos dias atuais, tal limitação favorece a manutenção da censura que norteia o assunto sexo e, por sua vez, impede o ensino sexual. Com isso, o ser humano, principalmente os jovens, ficam suscetíveis à desinformação a cerca da sexualidade e da realidade do tema, como infecções sexualmente transmissíveis (IST), gravidez indesejada, potenciais de bem-estar físico, emocional e social.
Em sociedades remotas, certos comportamentos necessários à manutenção da qualidade de vida humana, foram censurados para que o convívio em comunidade fosse mais civilizado e nos distaciassem dos ancestrais. Tal repressão perdura até os dias atuais, de modo que emoções e sentidos, como o sexual, sejam reprimidos, tornando-se tabu. Esse pudor, impede, por exemplo, que jovens tenham conhecimento do seu próprio corpo e de toda a sua potencialidade de bem estar físico e mental, bem como compreendam as relações humanas seguras e consensuais.
Ademais, segundo o Boletim Epidemiológico disponibilizado pelo Governo Federal, os casos de IST aumentaram mais de 60% entre os jovens de 15 a 19 anos. De modo paralelo, cerca de 66% de gravidez entre adolescentes ocorrem de forma não intencional. Com isso, muitas meninas abandonam os estudos para se dedicar à criação de seus filhos e a pouca estabilidade financeira nessa faixa etária pode acarretar à situação de pobreza. Tal cenário, possibilita o questionamento: se há disponibilização gratuita de preservativos nos serviços públicos de saúde, por que um número tão expressivo de infecções sexuais e gravidez entre esse público?
Portanto, faz-se necessária ação do Ministério da Educação com objetivo de alinhar a educação sexual à grade curricular desde o início do ensino básico, bem como desconstruir todo o tabu existente acerca desse tema. Além disso, em mídias sociais dos Governos de todas as esferas, esse tema deve ser abordado, através de lives com profissionais da saúde e sexólogos para que abordem questões ligadas à anatomia humana, comportamentos, emoções e todas as relações que cercam esse tema.