O tabu em relação à educação sexual no Brasil e suas implicações para os jovens

Enviada em 19/04/2022

O livro de ficção juvenil “A prisão do rei” traz consigo alguns ensinamentos através de frases de efeito, como quando afirma que “os ignorantes são mais fáceis de controlar”. Tal afirmação coaduna com a realidade do tabu em relação à educação sexual no Brasil e sua implicações para os jovens, que são, em grande parte, os abusos sexuais sofridos por crianças e adolescentes, amplificados e velados devido a inocência das vítimas, que torna o pudor em torno do assunto um fato favorável aos possíveis abusadores.

A princípio, destaca-se a falta de informação como principal viabilizador da agressão sexual aos menores de idade. A exemplo disso, cita-se o dado divulgado pelo site G1, o qual diz que dentre as violências sofridas por esse grupo, o tipo mais notificado foi o estupro, sendo 62% dos casos em crianças e 70,4% em adolescentes. Isso ocorre porque, por não terem acesso ao conhecimento sobre o próprio corpo e não saberem discernir o que pode ou não ser feito com ele, ficam em uma posição de vulnerabilidade.

Concomitantemente a realidade de abuso sofrido em decorrência do tabu em relação à educação sexual, nota-se que grande parte dos casos de tal brutalidade notificados são exercidos dentro do próprio lar dessas crianças e adolescentes, fato exemplificado pelos dados do Ministério da Saúde, que mostram que em 37% dos casos de abuso infantil o criminoso é da família. Assim sendo, o motivo da resistência de alguns indivíduos no que diz respeito ao conhecimento dos jovens sobre o assunto é evidenciado como forma de manipular com mais facilidade tais vítimas, tendo a manutenção do pudor existente como principal aliado.

A partir da situação em torno do tabu em relação à educação sexual no Brasil e suas implicações para os jovens, é imprescindível a atuação do Estatuto da Criança e do Adolescente, em consonância com o Ministério da Educação, sendo proponentes de projetos de lei que tornem obrigatória a implementação de palestras mensais e acompanhamentos semanais de profissionais da área sobre o tema nas instituições de ensino, com a finalidade de levar informação às faixas etárias mais vulneráveis e protegê-las, além de servir de apoio para possíveis denúncias.