O tabu em relação à educação sexual no Brasil e suas implicações para os jovens
Enviada em 25/04/2022
Internacionalmente, o Brasil é estereotipado como país onde o sexo é um assunto sem restrições. No entanto, o tabu relacionado à educação sexual é grande e sua maior implicação para os jovens é observada na frequência de casos de infecções sexualmente transmissíveis e gestações, além da insegurança gerada, que resulta na busca por pornografia online. Esses vieses precisam ser discutidos.
Inicialmente, é importante relacionar o tabu e o problema de saúde pública gerado por ele. A exemplo disso, o documentário “Meninas - gravidez na adolescência”, relata a história de garotas não faziam uso de nenhum método contraceptivo antes de engravidarem, pois não haviam sido instruídas em seus lares e escolas. De maneira análoga, o mesmo comportamento ocorre no restante país, fazendo com que nossa nação apresente um dos maiores índices de gestações antes da vida adulta e uma crescente ocorrência de infecções sexualmente transmissíveis, principalmente em comunidades carentes. Assim, os indivíduos são impactados permanentemente, seja ao adquirirem uma doença que poderia ser evitada, como também, nos casos das garotas, pelos riscos gestacionais agravados pela pouca idade e por questões que sequenciam o nascimento das crianças, como abandono escolar por parte dessas mães. Trata-se de um problema de saúde com gradens impactos sociais.
Ademais, a sociedade brasileira é conservadora, pois, desde a colonização, a educação é atrelada a valores religiosos. Assim sendo, a curiosidade pela sexualidade sempre foi tratadada como sinônimo de impureza, não fornecendo aos um ambiente adequado emocionalmente para discussão. Diante disso, a insegurança gerada faz com que muitos busquem sanar as dúvidas, por meio da pornografia, o que contribuiu para que tal indústria dobrasse seu número de buscas em 2020. No entanto, o conteúdo cinematograficamente representado se distancia da realidade das relações, gerando ainda mais frustração entre os indivíduos, por tentarem e não conseguirem reproduzir aquilo que foi visto no ambiente virtual, fazendo com que muitos não se sintam a vontade durante o ato sexual.
Diante do exposto, medidas são necessárias para mudar o cenário atual. Cabe ao Ministério de Educação investir na criação de conteúdo online, como “podcasts”, onde os jovens possam enviar suas dúvidas e receberem orientação adequada por profissionais de saúde física e mental. E também, em associação ao Ministério da Saúde, estações contendo preservativos, semelhantes as presentes em Unidades Básicas de Saúde, podem ser instaladas nas escolas, tornando o acesso mais fácil. Deste modo, a sexualidade será tratada como um assunto de bem estar social, fazendo com que essa e as próximas gerações tratem o tema de forma natural e saudável.