O tabu em relação à educação sexual no Brasil e suas implicações para os jovens

Enviada em 06/05/2022

“Nunca soube como ocorria uma gravidez de verdade”. Essa é uma das frases do livro “Fique Comigo”, da autora nigeriana Ayobami Adebayo, que retrata a falta de educação sexual no cotidiano das mulheres nigerianas. Fora da ficção, essa realidade pode ser vista no cenário brasileiro, onde milhares de jovens atravessam implicações impostas pela falta de educação sexual no Brasil. Sob esse viés, é fundamental discutir por que a educação sexual tornou-se um tabu, bem como as consequências de sua falta, a exemplo da gravidez na adolescência.

É válido, primeiramente, destacar que a educação sexual é, muitas vezes, compreendida de maneira errônea. Ao tomar como base o pensamento do teórico Mikhail Bakhtin, a partir do qual “cada palavra é marcada sócio-historicamente no imaginário popular”, nota-se que a palavra sexual é marcada de maneira pejorativa no imaginário da população brasileira, que passa a perceber a educação sexual de maneira pejorativa. Dessa forma, uma educação que é voltada para a sexualidade e para o ensino de prevenção torna-se um tabu graças a compreensões equivocadas.

Percebe-se, consequentemente, que o tabu criado ao redor da educação sexual priva diversos jovens brasileiros de conhecimento acerca de sua sexualidade. Assim, essa falta de conhecimento implica, por exemplo, em altas taxas de gravidez na adolescência. É evidente que jovens que são pais e mães adolescentes não receberam, na maioria das vezes, instruções por parte da família ou da escola, os dois principais ambientes de formação humana. Em oposição ao Brasil, essa realidade já não é vista no Reino Unido, onde, segundo o Escritório de Estatística Britânico, houveram grades reduções nas gravidezes precoces após a implementação de programas de educação sexual.

Infere-se, portanto, que medidas são necessárias para resolver o impasse. O Ministério da Educação deve, em parceria com o Ministério das Comunicações, criar uma ampla campanha televisiva chamada “Por uma educação sexual sem tabus”, que, por meio de chamadas em horário nobre, esclareça a importância e a efetividade da educação sexual na vida dos jovens, a fim de conscientizar pais e escolas e afastar o Brasil do panorama de “Fique Comigo”.