O tabu em relação à educação sexual no Brasil e suas implicações para os jovens
Enviada em 22/04/2022
Durante o século XIX, no Brasil, obras, como Madame de Bovary, eram censuradas por conter conteúdos de cunho sexual e, consequentemente, tidos como amorais. Apesar de passados séculos, os assuntos relacionados ao sexo ainda são tidos como tabu, principalmente no âmbito escolar em que a educação sexual é tardiamente introduzida no ensino, contribuindo para aumentar o preconceito sobre o tema. A partir disso, é válido analisar a origem desse estigma relacionado aos conteúdos sexuais na educação, bem como sua contribuição na vulnerabilidade de jovens brasileiros.
Nesse sentido, é importante notar que o Brasil foi construído sob princípios conservadores, os quais contribuem para o preconceito sobre a educação sexual, pois a associação de pensamentos moralistas com dogmas religiosos reproduzem a ideia de que, ao fornecer conhecimentos sexuais aos jovens, haverá estímulo para o início na vida sexual. Apesar desse senso comum imperar na população, dados do Ministério da Saúde vão o encontro desses grupos, pois afirmam que há uma tendência de diminuição na faixa etária entre os jovens que iniciam o ato sexual associado ao aumento do índice de gravidez nesse mesmo grupo, demonstrando que a falta de eduação sexual não impede o início das relações sexuais, mas contribuem para problrmas de saúde pública.
Além disso, observa-se que a negligência na educação sexual torna os jovens mais vulneráveis à violência sexual. Nesse sentido, a educação sexual seria libertadora, conceito defendido pelo educador Paulo freire ao associar educação e autonomia do indivíduo, pois as possíveis vítimas de abuso sexual, quando dotadas de conhecimento, se tornam capazes de identificar e, até, evitar tais acontecimentos. Assim, a capacidade de defesa estaria associada ao entendimento sexual prévio.
Dessa forma, entende-se como o estigma relacionado à educação sexual é maléfica para a sociedade brasileira. A partir disso, vê-se a necessiada da atuação do Ministério da Educação, responsável pela diretriz da base curricular, introduzir o ensino sexual na educação básica, mediante capacitação dos professores, a fim de conduzirem o assunto de acordo com as faixas etárias dos alunos, diminuindo a vulnerabilidade dos mesmos