O tabu em relação à educação sexual no Brasil e suas implicações para os jovens
Enviada em 03/05/2022
A Constituição brasileira de 1988 garante para todos os cidadãos direitos básicos à vida, como educação, segurança e saúde. Entretanto, não há um pleno exercício desses direitos quando ainda existe um tabu em relação à educação sexual no Brasil. Nesse sentido, é imprescindível analisar o conservadorismo em instituições de ensino e a falta de apoio governamental perante aos casos de abuso sexual.
A priori, a série da netflix “Sex Education” mostra o cotidiano do protagonista Otis ao ser o “Conselheiro” da escola tentando resolver os conflitos internos de seus colegas relacionados à sua vida sexual. Fora da ficção, esse cenário parece dialogar com a realidade, pois, a educação sexual não é tratada de forma relevante e profunda pelos líderes estudantis pelas regras e normas tradicionais na maioria das escolas do Brasil. Além disso, a falta da abordagem desses assuntos se dá pelo conservadorismo de alguns responsáveis dos alunos, baseado em suas crenças pessoais, que acreditam que temas, como saúde menstrual, formas contraceptivas e gravidez não devem ser tratados nas escolas.
Ademais, segundo o estudo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) quase 10% de meninas entre 13 a 17 anos foram forçadas ao sexo. Esses dados mostram que a falta do diálogo sobre a educação sexual, aliado à negligência governamental, podem gerar graves problemas, como gravidez na adolescência, abortos clandestinos e transtornos mentais. Nesse sentido, as vítimas de abuso sexual não tem o amparo necessário do governo, e ainda convivem com o constante medo de denunciar pela manipulação e influência de seus abusadores.
O tabu em relação à educação sexual, portanto, deve ser combatido. Para esse fim, cabe ao Ministério da Educação, em parceria com a Associação de Pai e Mestres (APM), tratarem da regulamentação de uma disciplina de educação sexual, com profissionais especializados, que possam discutir o tema de maneira séria e consciente para os alunos do Fundamental II ao Ensino Médio, para que casos de doenças sexuais transmissíveis e gravidez precoce sejam minimizados. Os canais midiáticos, devem alertar a população, em horário nobre, sobre a importância da denúncia de casos de abuso sexual através de campanhas publicitárias, garantindo que os direitos da Constituição Cidadã sejam cumpridos.