O tabu em relação à educação sexual no Brasil e suas implicações para os jovens

Enviada em 13/05/2022

Na produção televisiva “Sex Education”, da Netflix, é retratada a vida de Otis, um adolescente, cuja habilidade em aconselhamentos sexuais permite que ele realize atendimentos referentes a esse conteúdo no colégio. Fora das telas, entretanto, o tabu em relação à educação sexual persiste sendo um entrave na sociedade brasileira. Nessa perspectiva, tal situação é fomentada pela inobservância estatal e gera implicações para os jovens, como a gravidez na adolescência. Diante disso, torna-se fulcral o debate acerca dessa problemática.

Sob esse viés, é notável que a negligência do Estado contribui para a carência de discussões sobre sexo no ambiente escolar. Conforme a Constutuição Federal de 1988, no Brasil, é assegurado a todos cidadãos o acesso à educação. Contudo, evidencia-se a ineficiência na prática desse direito, uma vez que a inexistência de uma matéria a respeito do ato sexual seguro, associada à falta de conversas sobre isso de maneira includente (a qual abrange, por exemplo, relações não-heteronormativas), configura um revés a ser superado. Portanto, é importante a reformulação dessa postura estatal de forma urgente.

Ademais, a gestação precoce é uma consequência resultante da limitação informacional de estudantes adolescentes. Nesse sentido, na novela “Malhação: Viva à Diferença”, a protagonista Keyla Maria, devido à falta de prevenção adequada, engravida aos 16 anos. Analogamente à obra, na conjuntura hodierna, a gravidez juvenil é produto de um estigma cultural o qual, por disseminar que o diálogo sobre sexo pode tornar o jovem promíscuo, menospreza a educação sexual. Nesse contexto, com o desconhecimento das medidas preventivas, advêm as IST’S e o transtorno mencionado, cujas consequências vão de problemas psicológicos até evasão escolar. Destarte, faz-se mister a reversão do cenário.

Isso posto, torna-se imprescindível a adoção de medidas, a fim de mitigar a problemática. Desse modo, cabe ao MEC, por meio da inserção do ensino sexual na grade curricular das escolas, promover, impreterivelmente, debates nas salas de aula, com o intuito de normalizar o assunto e instruir os discentes. Logo, o problema será revertido e a juventude verde-amarela receberá conselhos bem mais efetivos do que aqueles fornecidos por Otis.