O tabu em relação à educação sexual no Brasil e suas implicações para os jovens
Enviada em 13/08/2022
A partir da década de 1980, a demanda por trabalhos na área da sexualidade nas escolas aumentou devido à preocupação dos educadores com o grande crescimento da gravidez indesejada entre os adolescentes e com o risco da contaminação por HIV entre os jovens. Entretanto, deixar que questões culturais, políticas e religiosas interfiram no ensinamento desse assunto tão importante para os jovens e crianças, não é uma medida positiva para a educação do país.
Em uma primeira análise, deve-se ressaltar a ausência de medidas governamentais para combater a falta de informação nas escolas. Nesse sentido, muitas crianças e adolescentes passam sua infância sofrendo abuso e assédio sexual e não sabem da gravidade dessa violência. Essa conjuntura, segundo as ideias do filósofo contratualista John Locke, configura-se como uma violação do “contrato social”, já que o Estado não cumpre sua função de garantir que os cidadãos desfrutem de direitos indispensáveis, como a educação, o que infelizmente é evidente no país.
Ademais, é fundamental apontar a ideia de que não devemos ensinar aos alunos sobre sexualidade como impulsionador da omissão e do silêncio dos relatos das vítimas no Brasil. Segundo dados do IBGE, 14,6% dos estudantes de 13 a 17 anos já sofreram algum tipo de violência sexual na vida; Diante de tal exposto, a idade na qual as crianças devem ser ensinadas sobre educação sexual é a partir do momento em que elas podem ser vítimas de abuso. Logo, é inadmissível que esse cenário continue a perdurar.
Depreende-se, portanto, a necessidade de se combater esses obstáculos. Para isso, é imprescindível que o Ministério da Educação, por intermédio de redes sociais e da mídia na TV, incentive os professores e pais a falarem sobre violência sexual, a fim de prevenir que mais crianças e adolescentes sejam vítimas e se calem. Assim, se consolidará uma sociedade mais unida e menos violenta, onde o Estado desempenha corretamente seu “contrato social”, tal como afirma John Locke.