O tabu em relação à educação sexual no Brasil e suas implicações para os jovens
Enviada em 03/05/2022
A educação sexual sempre foi um tema delicado para as sociedades modernas. Na década de 80, a princesa Diana chocou o mundo e deu um grande passo na conscientização sobre a aids ao apertar a mão de um enfermo com a doença. No entanto, nota-se que, mesmo após 30 anos, ocorre no Brasil um grande receio ao se debater questões acerca da educação sexual. Nesse prisma, é válido argumen-
tar que o conservadorismo brasileiro e a ausência de leis que tornem obrigatório o ensino sobre a sexualidade são danosos à formação dos jovens.
Em primeira instância, é importante destacar que a não evolução do pensamento de grande parte da população acerca da educação sexual garante a persistência do tabu na sociedade. O levantamento realizado pelo Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística em 2016 revelou que 54% dos cidadãos são extremamente conservadores, ou seja, em razão de uma opinião coletiva de que certos assuntos não devem ser debatidos, os jovens brasileiros deixam de ser educados sexual- mente. Por esse motivo, percebe-se que esses adolescentes passam a integrar a coletividade sem noções básicas de higiene sexual e infecções sexualmente transmissíveis e suas prevenções, o que pode acarretar danos sérios à saúde.
Além disso, cabe ressaltar que a falta de normas que determinem a realização do ensino sexual também é prejudicial aos jovens. Segundo o Ministério da Educação, apenas três estados preconizam que suas escolas incluam o ensino sexual em sua grade curricular, revelando a omissão do Estado quanto ao assunto. Tendo isso em vista, é possível afirmar que, devido à falta de conhecimento, milhões de jovens deixam de conhecer seu próprio corpo e reconhecer sua própria orientação sexual, formando uma sociedade incapaz de afirmar sua própria identidade.
Dessa forma, é necessária a tomada de medidas que desmistifiquem o ensino se-
xual no Brasil. Para tanto, cabe ao Ministério da Educação promover a criação de leis que determinem a obrigatoriedade de debater o assunto nas escolas. A trans-
missão dos conhecimentos aos estudantes deve ser realizada por meio de debates inclusivos e respeitosos, ministrados por sexólogos e professores capazes de orientar os jovens, de modo a promover momentos que sejam esclarecedores e diminuam a insegurança do adolescente quanto a sua própria sexualidade.