O tabu em relação à educação sexual no Brasil e suas implicações para os jovens
Enviada em 05/05/2022
A “Teologia do Traste”, obra composta pelo escritor Manoel de Barros, consiste em dar valor às situações frequentemente esquecidas ou ignoradas. Sob essa ótica, percebe-se que a educação sexual no Brasil e suas implicações para os jovens é pouco discutida no cenário hodierno. Nesse viés, faz-se preciso abordar as causas dessa problemática, as quais se destacam não só a inoperância do Estado mas também a falta de informação em lugares mais pobres do país.
Primordialmente, é imperioso notar que a displicência governamental potencializa a censura da discussão sobre a educação sexual na nação. Nesse sentido, a Constituição Cidadã — documento jurídico promulgado em 1988 — prevê em seu artigo 6º, o direito à educação inerente a todo cidadão brasileiro. À vista disso, nota-se que a universalização desse benefício constitucional não se aplica com ênfase na prática, haja vista que é notório a ínfima distribuição de subsídios nas áreas mais rurais e pobres do país, como, por exemplo, o Nordeste. Logo, a negligência de ações estatais viola o “Contrato Social”, conceito proposto pelo filósofo John Locke, visto que o Estado não cumpre sua função de garantir que os cidadãos desfrutem de direitos indispensáveis, como a educação, o que, infelizmente, é perceptível na pátria verde-amarela.
Outrossim, é válido ressaltar os males que essa carência de ensino agravam nos jovens. Segundo o relatório da pedagoga Caroline Arcari, em 2019, estima-se que o percentual de escolas brasileiras públicas e privadas, que tratam do tema, ainda não chegam a 25% do total. Por conseguinte, a importância da educação sexual na grade escolar é esclarecer e ensinar aos alunos questões relacionadas ao sexo e à saúde livres de maldade, e não discutir sobre essa temática, vulnerabiliza os jovens a uma série de problemas, como, por exemplo, estupros, gravidez precoce e doenças sexualmente transmissíveis. Dessa forma, é indubitável a ampliação da educação no Brasil.
Depreende-se, portanto, medidas para combater esse revés. Para isso, é imprescindível que o Governo Federal, por meio da distribuição de subsídios, amplie novas instituições de ensino médio e fundamental, a fim de possibilitar tais áreas, como o Nordeste, a educação de qualidade. Além disso, cabe, também, o Ministério da Educação — principal órgão responsável pela educação do povo brasileiro —, fornecer debates e palestras nas escolas em relação à educação sexual e seus cuidados, em prol de minimizar os problemas supracitados. Assim, com a adoção dessas medidas, a ideia barrosiana deixará de ser realidade no Brasil.