O tabu em relação à educação sexual no Brasil e suas implicações para os jovens
Enviada em 07/05/2022
Na década de 1990, o Brasil tornou-se referência mundial no combate contra a AIDS a partir da distribuição gratuita de antirretrovirais e das campanhas nos meios de comunicação. Contudo, na última década, os índices de contaminação do vírus HIV voltaram a subir devido, sobretudo, à de-sinformação das gerações mais novas. Nesse sentido, a falta de educação sexual nas escolas não só contribui para o descontrole das ISTs, mas também dificulta a redução da gravidez precoce.
De fato, a disseminação de doenças sexualmente transmissíveis apresentou um aumento recente na população jovem. Nesse contexto, apesar da distribuição gratuita de contraceptivos pelo SUS, o seu uso não é abrangente pelos adolescentes em razão do pouco conhecimento do seu modo efeti-vo de uso e até mesmo da sua importância. Por isso, como a educação sexual não aparece na grade obrigatória do Ensino Médio e nem do Fundamental, essas aulas são facultativas para cada ins-tituição de ensino, de modo que há poucos alunos com acesso a essas discussões. Portanto, segun-do Paulo Freire, se com a educação é difícil mudar o mundo, sem ela tampouco isso será alcançado.
Além das ISTs, a gravidez não planejada também relaciona-se fortemente à reduzida educação sexual. Sob a perspectiva, o escasso debate acerca do uso de contraceptivos e do ciclo menstrual nas famílias forma jovens pouco preparados para a vida sexual, tornando-se muitas vezes, pais pre-cocemente. Somado a isso, o avanço do pensamento conservador nos últimos anos dificulta a abor-dagem do assunto na mídia e nas escolas sob a justificativa equivocada de que as discussões in-centivaríam o sexo prematuro e a promiscuidade. Na verdade, a falta de debate dessa questão na sociedade, de modo geral, contribui para a desproteção e, consequentemente, para a gravidez inde-sejada.
Assim, para reverter esse quadro, o MEC, com o é o responsável pelo ensino brasileiro, deve implementar a educação sexual nas escolas a partir da inclusão do tema como disciplina obriga-tória, a fim de aumentar o entendimento dos jovens e reduzir a disseminação de ISTs. Ademais, as empresas midiáticas precisam ampliar a discussão sobre sexualidade no corpo social, por meio de campanhas de TV e de rádio, pois são meios de amplo acesso, para diminuir a falta de conhecimen-to e combater a gravidez precoce. Com essas medidas, a população brasileira jovem vai estar mais bem informada sobre sexualidade, e as políticas contra a gravidez precoce e contra a disseminação de ISTs será tão efetiva quanto as de combate à AIDS.