O tabu em relação à educação sexual no Brasil e suas implicações para os jovens
Enviada em 09/05/2022
A série americana “Sex Education” retrata a opressão sofrida pelos alunos do Colégio de Moordale após o protesto feito por eles consequente a demissão de Jean Milburn, sexóloga psicanalista que os orientava a respeito do conhecimento da libido e como lidar responsavelmente com os desejos da adolescência. De maneira análoga a isso, é indubitável que o tabu relacionado a educação sexual ainda faz-se presente no meio hodierno e isso acarreta diversas implicâncias para os jovens brasileiros. Nesse prisma, destacam-se dois aspectos importantes: a maior exposição a infecções sexualmente transmissíveis (ISTs) e a gravidez precoce.
Em primeira análise, evidencia-se que a falta de orientação sexual pode resultar em uma maior chance de adquirir ISTs. Sob essa óptica, Vinícius Vergara, médico ginecologista do Sistema Único de Saúde (SUS), afirma que a cada 5 meninas diagnosticadas com ISTs, 3 carecem de informações prévias sobre métodos preventivos. Dessa forma, é possível concluir que a carência de uma educação sexual qualificada impossibilita um cuidado maior da saúde dessas pessoas, deixando-as mais facilmente a mercê de ISTs.
Além disso, é notório que a ausência dessa orientação permite, também, o aumento de gravidez precoces. Desse modo, a série “Euphoria” exibe uma personagem com 14 anos que engravidou por falta de conhecimento acerca de métodos contraceptivos. Consoante a isso, é evidente que os efeitos da inexistência do acesso à educação sexual não se restringe apenas a ISTs mas também a gestações inesperadas, o que pode gerar consequências futuras para o bebê devido à idade inadequada da mãe.
Depreende-se, portanto, a adoção de medidas que venham conter o tabu em relação à educação sexual no Brasil e, consequentemente, suas implicâncias nos jovens brasileiros. Dessa maneira, cabe ao Ministério da Saúde — setor governamental responsável pela administração e manutenção da saúde pública — ampliar os conhecimentos das pessoas sobre métodos contraceptivos e preventivos por meio de campanhas publicitárias nas escolas, a fim de que menos registros de portadores de ISTs e gravidez precoces sejam relatados.