O tabu em relação à educação sexual no Brasil e suas implicações para os jovens

Enviada em 12/05/2022

A série brasileira “Confissões de Adolescente”, dos anos 90, girava em torno de quatro adolescentes e tratava de temas como descobertas, paixões, drogas e sexo de forma bem atual e sem censuras. Para além da ficção, a realidade do país é a de tabu em relação à educação sexual dos jovens, com implicações que vão desde a desinformação causada pela falta de discussão até a exposição à infecções e à gravidez precoce.

Nesse sentido, em primeira análise, é importante compreender que a instrução sexual está relacionada à promoção de Direitos Humanos, no sentido de garantia à saúde, à educação e à informação. Dessa forma, a sexualidade inicia-se com o nascimento e faz parte do desenvolvimento do ser humano. Contudo, esse assunto ainda é motivo de tabu no Brasil e uma das suas implicações está na desinformação gerada pela falta de debate nos âmbitos familiares e escolares. Diante disso, prevalecem argumentos equivocados, os quais consideram a discussão uma forma de estimular a iniciação sexual, não considerando que, na realidade, orientar sexualmente significa, por exemplo, conhecer o próprio corpo, reconhecer possíveis abusos, prevenir doenças e evitar a gravidez juvenil.

Em segunda análise, essa falta de informação pode ter como consequência a exposição dos jovens à infecções sexualmente transmissíveis (ISTs), como a AIDS, a sífilis e a gonorréia e à gravidez precoce. Prova disso é que, segundo relatório publicado pelo Fundo de População das Nações Unidas (Unfpa), de cada mil brasileiras entre 15 e 19 anos, em 2020, 53 tornaram-se mães, enquanto a média mundial é 41. Além do preocupante número de jovens mães, há também o grave aumento das ISTs no país, fato confirmado por levantamento da Secretaria de Saúde, o qual indicou 29 mil novos casos entre 2010 e 2015.

Assim, para atenuar as implicações do tabu relativo à educação sexual, no país, é necessário o fomento ao debate sobre o tema, pelo Estado, nos âmbitos familiar e escolar, por meio de cartilhas elucidativas sobre o corpo, sinais de abuso, causas das doenças e prevenção, de forma a garantir os direitos à saúde e à informação. Além disso, o Ministério da Saúde pode lançar, nas mídias sociais, campanhas informativas, de forma a assegurar uma juventude plena e livre aos brasileiros.