O tabu em relação à educação sexual no Brasil e suas implicações para os jovens

Enviada em 05/06/2022

A Constituição Federal de 1988 prevê que a educação é um direito de todos e dever do Estado e da família. Contudo, quando o assunto em pauta é a educação sexual no Brasil, percebe-se que esse tema é negligenciado. Desse modo, é necessário entender os principais fatores que impulsionam esse problema: a desinformação que atinge o seio familiar e falta de discussão nas escolas.

Diante desse cenário, é cabível salientar a insegurança dos pais em trazer esse tema para dentro de seu núcleo familiar. De acordo com Simone de Beauvoir, filósofa e escritora, o mais escandaloso dos escândalos é que nos habituamos a eles. Nesse sentido, é preocupante o fato de que muitos pais credibilizam o estereótipo sobre a educação sexual influenciar os jovens a entrarem na vida sexual precocemente, o que confirma a falta de informações divulgadas na sociedade. Dito isso, a dificuldade da família em debater sobre esse tema prejudica o desenvolvimento do jovem, visto que a educação sexual abrange assuntos além do sexo, como os aspectos da intimidade e da privacidade, sendo estes cruciais para a consciência corporal do jovem.

Além disso, a falta de discussão nas escolas intensifica esse problema. Segundo o sociólogo Émile Durkheim, a escola é uma instituição social formadora de opinião capaz de modular o indivíduo. Dessa maneira, discutir sobre esse tema pode moldar os comportamentos dos jovens para iniciar a vida sexual com maturidade consolidada e consciente de tal decisão. Outrossim, o importante papel da escola auxilia também no combate ao abuso sexual, uma vez que, segundo a OMS, ignorar essa temática é ser conivente com as mais variadas formas de violência.

Em suma, o Ministério da Educação deve, com urgência, suprir a escassez de informação que acomete o seio familiar, por meio de palestras nas escolas direcionadas aos pais e responsáveis, as quais irão abordar a importância da educação sexual no âmbito familiar, a fim de amenizar os estereótipos criados sobre esse tema. Ademais é imprescindível que o Ministério também inclua a educação sexual como matéria escolar obrigatória, por meio da Base Nacional Comum Curricular, com a finalidade de orientar os jovens. Espera-se, com essa ação, que esse tema deixe de ser um tabu na sociedade brasileira.