O tabu em relação à educação sexual no Brasil e suas implicações para os jovens

Enviada em 19/06/2022

Brás Cubas, o defunto-autor de Machado de Assis, diz em “Memórias Póstumas” que não teve filhos e não transmitiu a nenhuma criatura o legado da nossa miséria. Talvez hoje ele percebesse acertada sua decisão: a postura escolar diante da desinformação sexual, da juventude, é uma das faces mais perversas de uma sociedade em desenvolvimento. Com isso, surge a problemática do preconceito que persiste intrinsecamente ligado à realidade do país, seja pela insuficiência estatal, seja pela lenta mudança de mentalidade social.

Nessa perspectiva, a ingerência governamental prevê uma educação que limita a instrução social, de modo que não esteja apta para lidar com as incertezas juvenis, para uma melhor compreensão, em seu período de adolescência, de sua sexualidade . Assim, encontra forças no ensaio “Pedagogia do Oprimido”, do pedagogo brasileiro Paulo Freire, o qual caracteriza o ambiente escolar como uma ferramenta de opressão que não habilita o sujeito para a convivência em sociedade, como nas situações representadas com os diferentes gêneros.

Além disso, é inegável como a manipulação midiática alicerça a desinformação dos jovens, pois, os veículos de comunicação valorizam uma perspectiva lucrativa. Dessa maneira, a análise da conjuntura precária, que cerca o aprendizado sobre temas sexuais, é silenciada na mídia por não ser um assunto atrativo. Essa reflexão encontra forças na afirmação de Zigmunt Bauman, para quem “Na era da informação, a invisibilidade é equivalente à morte”, já que a pouca visibilidade midiática direcionada para essa problemática leva à permanência das doenças sexualmente transmissíveis e, também, o preconceito na diversidade existente.

Infere-se, portanto, uma agrura no cenário nacional. Nesse prisma, o método de resolver a atrocidade, em qualquer Estado da Federação, é por meio das verbas da União. Por conseguinte, o Poder Executivo deve realizar uma reforma no ensino fundamental, esclarecendo aos alunos a importância da conscientização dos mais diversos âmbitos na educação sexual. Ademais, doutores e mestres do tema deverão demonstrar aos professores, durante o período de ensino superior, a melhor maneira de ministrar aulas pertinentes ao tópico. Logo, será possível a extinção de um legado histórico miserável.