O tabu em relação à educação sexual no Brasil e suas implicações para os jovens
Enviada em 27/08/2022
No período da Ditadura Militar no Brasil, Chico Buarque escreveu a canção “Ape-sar de você”, na qual é evidente o uso de metáforas para implicitar sua revolta com a política da época. Mesmo com o hiato temporal, ainda hoje é nítido a censura e o medo relacionado à educação sexual, que hoje é um tabu. Contudo, a omissão des-se tema na sociedade pode ocasionar, nos jovens, a falta de denúncias de violência sexual e o aumento dos casos de infecções sexualmente transmissíveis.
Em primeiro plano, é evidente que a falta de diálogo é um fator que corrobora com o silêncio das vítimas de estupro, já que a instrução dos jovens é primordial para que saibam se estão sofrendo (ou praticando) esse tipo de violência e como denunciá-la. Por meio disso, sabendo-se que a cada hora no Brasil 5 crianças e ado-lescentes são vítimas de violência sexual, segundo o El País, é notório que a quebra desse tabu se torna essencial para essa faixa etária, não somente para diminuir os casos de vítimas assediadas, mas também para evitar a formação de novos assediadores.
Em segundo plano, torna-se perceptível que a ausência da educação sexual me-diante o estigma existente, também aumenta o número dos casos de IST’s entre os jovens no Brasil. Somado a isso, de acordo com uma pesquisa realizada pela ONG DKT Internacional, 47% dos jovens brasileiros entre 14 e 24 anos não usam camisi-nha nas suas relações sexuais. Contudo, o medo que o tabu causa na maioria dos cidadãos, ao pensarem que educação sexual é um estímulo para as crianças e ado-lescentes fazerem sexo ainda novos, coloca em risco a saúde física e psicológica de milhares de jovens no país que contraem IST’s por falta de informação.
Portanto, são necessárias medidas que mitiguem essa problemática. Com isso, o Poder Executivo deve, por meio do uso correto dos impostos, investir na criação de palestras sobre educação sexual em todas as instituições de ensino. Ademais, elas devem ser obrigatórias para alunos e responsáveis, nas quais abordarão temáticas sobre violência e prevenção de infecções. Em virtude de não ser mais necessário falar de sexo com medo, e nem por meio de metáforas (como nas canções de Chico Buarque), e os jovens possam acreditar que amanhã (realmente) há de ser outro dia.