O tabu em relação à educação sexual no Brasil e suas implicações para os jovens
Enviada em 27/09/2022
De acordo com o filósofo Émile Durkheim, a consituição do ser como indíviduo está intrinsecamente ligada ao que a sociedade faz dele. De maneira análoga a isso, observa-se a formação de tabus pelo corpo social em dadas temáticas, como a educação sexual, o que resulta num processo de sujeição da juventude à situações indesejadas, a exemplo de uma gravidez precipitada. Nesse prisma, destacam-se dois aspectos relevantes para a perpetuação da problemática: a criação de um distanciamento entre os pais e filhos, bem como a negligência de políticas públicas cabíveis que contribuam ativamente para reversibilidade do quadro.
Em primeira análise, evidencia-se o afastamento familiar, o que corrobora para que não haja a transmissão de experiências e um direcionamento para o caminho de máxima integridade. Sob essa ótica, Martinho Lutero, precursor do Protestantismo, afirma que a família pode ser fonte de prosperidade e desgraça, o que está diretamente relacionado ao método educativo exercido por tal. Dessa forma, em lares que não há uma relação saudável e sincera entre os entes não há uma consolidação no jovem, que está em formação, de um discernimento, nem sequer de uma inibição, que é mais frágil que a conscientização, haja vista que se baseia exclusivamente pelo medo.
Ademais, é notória a insuficiência da atuação estatal. Desse modo, segundo Gilberto Dimenstein em sua obra “O Cidadão de Papel”, a Constituição Federal de 1988, documento que rege a pátria, apresenta excertos que não alcançaram a devida aplicabilidade prática. Consoante a isso, observa-se o artigo 227 que trata da função do Estado em resguardar a infância e juventude, o que não reflete a realidade, uma vez que a temática, ainda que recorrente, não foi devidamente solucionada.
Depreende-se, portanto, a adoção de medidas que venham minimizar o tabu em relação à educação sexual em solo brasileiro. Dessa maneira, cabe ao Ministério Público a promoção de palestras educativas que contarão com a presença não só dos pais, mas também dos filhos, por meio de parcerias com os colégios públicos a fim de se criar uma juventude orientada de forma responsável. Assim, a formação do indivíduo tratada por Durkheim será, certamente, positiva.