O tabu em relação à educação sexual no Brasil e suas implicações para os jovens

Enviada em 06/11/2022

Tabu, do inglês “taboo”, pode ser definido como medo ou proibição de origem religiosa, social ou cultural. Com isso, falar sobre temáticas desse viés mostra-se desafiador, e ao se tratar da educação sexual no Brasil, as implicações desse tabu, especialmente para os jovens, podem ser desde desinformação, gerando constrangimentos e punições, até mesmo riscos à saúde.

Em primeiro lugar, sabe-se que ao não se falar à respeito de temas tabu surgem mitos para justificar esse silêncio. Um desses mitos, que vem da Bíblia, é o de que a mulher em seu período menstrual é impura. Com isso, jovens que vivem em lares extremamente religiosos podem, após a menarca, notarem uma mudança de tratamento significativa, sem ao menos compreender o que se passa com seu corpo. Assim, muitas mulheres crescem com problemas psicológicos em relação à própria menstruação e à oscilação de acolhimento da família.

Em uma segunda análise, sabe-se que embora no Brasil o Sistema Único de Saúde (SUS) ofereça, de forma gratuita, acesso à contraceptivos e à tratamento para IST’s, a procura por tais recursos é inferior ao esperado para uma sociedade em que jovens iniciam relações sexuais tão precocemente. Essa pouca demanda se deve, principalmente, pela falta de informação: se o adolescente não sabe da necessidade de prevenção e não conhece a oferta dessa assistência do governo, não irá a sua procura. Dessa maneira, milhares de jovens contraem e espalham IST’s, além de correr riscos de gravidez precoce, devido ao ensino de educação sexual ser tabu e não conseguir chegar as faixas etárias mais necessárias.

Portanto, com o obejtivo de minimizar as implicações do tabu acerca da educação sexual na vida dos jovens brasileiros, deve-se começar um trabalho de base em que médicos e psicólogos sejam convidados - de forma gratuita e voluntária - a palestrar para pais de alunos de escolas de ensino fundamental e médio a respeito do assunto, de tal forma que tais encontros sejam obrigatórios para os responsáveis, objetivando que escola e família estejam em sintonia para que um ensino de educação sexual responsável, acessivo e inclusivo envolva as diferentes partes da comunidade escolar.