O tabu em relação à educação sexual no Brasil e suas implicações para os jovens

Enviada em 07/10/2022

A Constituição federal de 1988, por meio do Artigo 5°, visa garantir o acesso a ensino como uma forma de autoconhecimento e integração social. Todavia, não é isso o que ocorre, uma vez que à educação sexual no Brasil ainda é vítima de diversos tabus que impedem sua aplicação nas escolas brasileiras. Desse modo, cabe debater como a ausência dessa modalidade de ensino compromete o combate aos casos de violência sexual infantil e suas implicações.

De início, deve-se destacar que, para que uma pessoa saiba que foi vítima de um ato criminoso, primeiro é necessário que ela conheça os seus direitos de forma clara. Em consonância com o que foi dito, uma pesquisa realizada pelo portal G1 mostra que 70% dos estudantes que já tiveram aula de orientação sexual se sentem mais seguros depois de terem um maior entendimento sobre os seus órgãos genitáis. Ademais, essas informações levam a crer que coibir o acesso a tal conhecimento pode afetar a capacidade dos jovens de identificar certos crimes contra os seus corpos. Dessarte, essa ingeuidade pode favorecer pedófilos e outros indivíduos mal intencionados a tirarem proveito dessa situação de fragilidade.

Em segundo lugar, vale ressaltar que as sociedades, em geral, sempre tendem a manter os mesmos valores e padrões ao longo do tempo. De acordo com filófoso, Emile Durkheim, o fato social é como os membros mais antigos de uma comunidade buscam repreender condutas que fujam da dita “normalidade” até que uma força maior os leve a mudar de posicionamento. Outrossim, enquanto não houver essa força motriz, crianças e adolescentes continuarão sem vozes nas escolas para que possam ouvir e falar sobre a importância da educações sobre seus corpos e até mesmo para denunciar atos irregulares.

Portanto, para que essa problemática seja superada, medidas precisam ser tomadas. Para tanto, o Ministério da Educação, em parceria com a população, deve criar espaços para que esse tema tão importante seja debatido. Isso pode ser feito por meio da destinação de verba pública para a realização de campanhas que informem sobre os benefícios desse diálogo e suas implicações para o combate de crimes de cunho sexual. Somente assim, a Constituição Cidadã será respeitada e o estudantes entenderão sobre si mesmo e sobre seus direitos.