O tabu em relação à educação sexual no Brasil e suas implicações para os jovens

Enviada em 13/10/2022

A obra “Utopia”, do inglês Thomas More, retrata uma sociedade idealmente perfeita e livre de preconceitos. Entretanto, ao trazer a ficção para a realidade, nota-se que a nação brasileira desenvolveu-se com assuntos considerados tabus, dentre eles, a educação sexual. Nesse sentido, o tabu em relação à educação sexual é fruto de uma condição histórica, tendo como consequência, a desinformação entre os jovens.

Nesse viés, é importante ressaltar que o Brasil foi construído em torno do conservadorismo. Desse modo, desde a invasão portuguesa nas terras brasileiras, assuntos que têm ligação com sexo são oprimidos pela sociedade. Com isso, o presidente Jair Bolsonaro, afirmou que escola não é lugar para aprender sobre sexo. Contudo, a fala do presidente traz à tona todo o preconceito enraizado sobre educação sexual, que, na realidade, não ensina como ter relações sexuais, mas, que oferece qualidade de vida e bem-estar aos jovens. Por conseguinte, o conservadorismo histórico presente na sociedade criou um tabu com a educação sexual, fechando portas para que as novas gerações compreendam seus corpos.

Outrossim, vale destacar que é por causa do preconceito com sexo, que as informações não chegam à todos os brasileiros. Nesse contexto, segundo dados de pesquisadoras da Unesp, menos de 20% das escolas no País dialogam sobre a temática da educação sexual. Dessa forma, sem o conhecimento necessário, há aumento nos casos de Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs), gravidez precoce, e abusos sexuais na adolescência. Assim, criou-se uma falsa concepção de que a comunidade nasce sabendo sobre sexo, e que esse tema não se apresenta como necessidade de debate no ambiente escolar, consequentemente, garantindo a desinformação no território brasileiro.

Portanto, há urgência na descontrução do tabu em relação à educação sexual. Logo, é dever do Ministério da Educação, inserir aulas de orientação sexual nas escolas, por meio de palestras com médicos, educadores e especialistas na área, com uma didática voltada para o descobrimento do corpo, com a finalidade de levar o conhecimento aos cidadãos. Assim, será possível contruir uma nação parecida com a da obra “Utopia”: justa, igualitária e humanizada.