O tabu em relação à educação sexual no Brasil e suas implicações para os jovens
Enviada em 16/10/2022
Na novela “Pantanal” a personagem Juma Marruá, protagonista da trama, engra-vida muito jovem e fica espantada ao descobrir a existência de anticoncepcionais. Fora da ficção, esse não é um cenário distante da realidade brasileira, que persiste em enxergar a educação sexual como um tabu, consolidado principalmente devido à ignorância e a ineficiencia do ensino nas escolas.
Mormente, convém discutir a relevância do senso comum perante a problemática supracitada. Em seu livro “Totem e Tabu”, Sigmund Freud disserta sobre o uso dos tabus como mecanismos de repressão comportamental, a fim de sercear novas doutrinas. Nesse sentido, é natural que boa parcela da sociedade tupiniquim, con-servadora e inflexível, contribua para a manutenção dessa tradição, seja por mera reprodução de um costume geracional, ou seja por medo de que a educação sexual ameace os valores familiares reforçados pela educação padrão. Portanto, observa-se que o tabu da educação sexual é, na verdade, sustentado pelo receio de que essa educação corrompa o comportamento dos jovens.
Ademais, a falta de acesso à educação de qualidade apresenta-se como um agravante da questão. Dessa forma, entende-se que a falha educacional contribui para uma falha de saúde pública, já que jovens que não possuem acesso ao conhecimento de prevenção de doenças sexualmente transmissíveis e métodos contraceptivos estão sujeitos a um maior risco de serem infectados ou enfrentarem a gravidez precoce. Afinal, conforme o filósofo alemão Arthur Schopenhauer, as pessoas tendem a tomar os limites do seu campo de visão como os limites do mundo. Logo, é evidente que um aprimoramento educacional acerca do tema é indispensável para a sua resolução.
Assim, é inquestionável que tais entraves devem ser solucionados. Para isso, cabe ao Ministério da Educação, em parceria com o Ministério da Saúde e as Secretarias Estaduais de Saúde, fomentar campanhas de conscientização que abordem a saúde sexual dos jovens, por meio de palestras de médicos ginecologistas em unidades básicas de saúde e escolas de nível fundamental e médio, que enfatizem
a importância dos cuidados na saúde sexual.