O tabu em relação à educação sexual no Brasil e suas implicações para os jovens
Enviada em 05/11/2022
O filósofo brasileiro Raimundo Teixeira Mendes, em 1889, adaptou o lema positivista “Ordem e Progresso” não só para da Bandeira Nacional, mas também para a nação que, no contexto hodierno, enfrenta significativos estorvos para o seu desenvolvimento. Lamentavelmente, entre eles, os tabus relacionados à educação sexual representam uma antítese à máxima do símbolo pátrio, já que tal postura resulta de um retrocesso da sociedade. Este lastimável panorama é calcado na inoperância estatal e tem implicações severas entre os jovens.
De início, há de se constatar a débil ação do Poder Público como mantenedora do aspecto preconceituoso. Acerca disso, o filósofo inglês Thomas Hobbes, em seu livro “Leviatã”, defende a incumbência do Estado em garantir os meios para o progresso da coletividade. As autoridades, contudo, vão contra a ideia de Hobbes, uma vez que possuem um papel inerte em proporcionar a educação sexual, esta é imperiosamente indispensável na prevenção de doenças e no combate de preconceitos. Esse cenário decorre do fato de que, assim como pontuou o economista Murray Rothbard, a maioria dos governantes, ao se orientar por um viés individualista, negligencia a conservação de direitos básicos aos cidadãos.
Por conseguinte, a ausência da educação sexual gera impactos negativos na saúde e bem-estar dos jovens. Posto isso, de acordo com notícias da Folha, após investimentos governamentais em propagandas de cunho educacional sobre o uso de preservativos, houve um decréscimo nas taxas de gravidez na adolescência e de ISTs - infecções sexualmente transmissíveis - entre os jovens paulistas. Diante de tal exposto, é notório o benefício da educação sexual não apenas na prevenção de ISTs e gravidez não planejada, mas também no combate à discriminação de sexualidade e gênero. Logo, é inadimissível que essa conjuntura perdure.
Depreende-se, portanto, que é mister a intervenção estatal sobre o tabu da educação sexual. Assim, a fim de uma vida mais saudável e inclusiva aos jovens brasileiros, cabe ao Poder Executivo Federal, mais especificamente o Ministério da Educação, propor aulas de educação sexual nas escolas. Tal ação deve ocorrer por meio de uma alteração na base curricular de ensino. Somente assim, os brasileiros verão o progresso referido na Bandeira Nacional como uma realidade.