O tabu em relação à educação sexual no Brasil e suas implicações para os jovens
Enviada em 11/11/2022
“Se a educação sozinha não transforma a sociedade, sem ela tampouca a sociedade muda”. Com essa frase, Paulo Freire, pedagogo brasileiro, afirma que a educação é uma virtude essencial para a construção de uma sociedade consciente. Contudo, é perceptível que essa realidade não é efetivada plenamente no Brasil ao se observar a existência de tabu relacionado à educação sexual no Brasil, a qual implica na vida sexual de muitos jovens. Nessa perspectiva, tal cenário ocorre em razão não só da ignorância de muitos, mas também da falha de muitas escolas na abordagem do tema em sala de aula.
Nesse viés, convém enfatizar que a ignorância de parte da população brasileira está entre as principais causas do revés. De acordo com o filósofo Jurgen Habermas, a ação comunicativa, a exemplo do diálogo e do debate, é a ferramenta ideal para a resolução de impasses em uma comunidade. Entretanto, muitas pessoas vão de encontro à tese habermasiana ao negligenciarem a necessidade de se discutir sobre a importância da educação sexual na vida dos adolescentes, principalmente no ambiente familiar, devido aos tabus embasados em premissas religiosas, místicas e de senso comum. Assim, a discussão sobre a educação sexual para jovens se torna escassa, o que dificulta a prevenção de futuros eventuais problemas sexuais.
Além disso, vale destacar a pouca abordagem da educação sexual nas escolas como impulsionadora da conjuntura. Nesse sentido, é pertinente citar o iluminista Jean D’Alembert, o qual preconiza que o conhecimento é fundamental para conscientizar a população de uma situação. No entanto, muitas escolas não tratam a educação sexual de modo eficaz nas salas de aula, não evidenciando profundamente os perigos das infecções sexualmente transmissíveis (IST) , gravidez precoce etc. Consequentemente, muitos jovens não ficam conscientizados de tais problemas, sendo suscetíveis a estes malefícios.
Portanto, providências são necessárias para amenizar o quadro. Para isso, as escolas - instituições responsáveis pela formação educacional de crianças e adolescentes - devem realizar programas especiais de conscientização sexual para alunos, junto aos seus responsáveis, por meio de palestras com profissionais da área de saúde, a fim de desmistificar os tabus relacionados à educação sexual e conscientizar a população juvenil acerca da vida sexual. Dessa forma, espera-se que a sociedade se transforme para melhor cada vez mais, como idealizado por Paulo Freire.