O tabu em relação à educação sexual no Brasil e suas implicações para os jovens
Enviada em 09/05/2023
Brás Cubas, o defunto-autor de Machado de Assis, diz em suas “Memórias Póstumas” que não teve filhos e não transmitiu a nenhuma criatura o legado da nossa miséria. Talvez hoje ele percebesse acertada sua decisão: a falta de educação sexual no Brasil e nas escolas brasileiras, que se torna um retrocesso na sociedade e afeta cidadãos diariamente.
Em primeiro lugar, destacam-se as religiões conservadoras como uma das causas do problema. Sob esse viés, segundo o Profissão Repórter, da Globo, uma das principais razões do tabu são questões religiosas, mas também políticas e culturais. No entanto, ao se analisar o contexto nacional, vê se uma lacuna entre a teoria, que seria implementar a educação sexual nas escolas, e a prática, que retrai cada vez mais o conhecimento dos jovens sobre o tema. Diante disso, é inaceitável tal conduta, em pleno século XXI, ainda se perpetuar no Brasil.
Ademais, verifica-se o próprio tabu com a educação sexual nas escolas como mais uma das causas do revés. A falta de educação sexual culmina em inúmeros fatores, dentre eles: gravidez precoce e aumento das estatísticas de pessoas infectadas por alguma infecção sexualmente transmissível (IST). Em contraponto, há campanhas midiáticas e programas do governo que incentivam o uso e até disponibilizam preservativos, mas os jovens não temem tais doenças, e os tutores responsáveis não conversam com eles, gerando um risco no aumento de IST e gestações indesejadas.
Portanto, o Ministério da Educação deve promover a informação segura a respeito das doenças sexuais desde os primeiros anos da vida escolar por meio da adição de uma disciplina de saúde mental à Base Nacional Curricular, além de realizar campanhas informativas na mídia, visando à plena educação sexual da população. Somado a isso, o Ministério da Saúde pode dirimir o preconceito por intermédio da divulgação de vídeos em suas redes sociais que contem informações – ressaltando a necessidade de desenvolver conhecimento e diminuir o tabu – a fim de que a sociedade seja mais democrática e inclusiva.