O tabu em relação à educação sexual no Brasil e suas implicações para os jovens

Enviada em 12/07/2023

A série “Educação Sexual”, produzida pela Netflix, narra a história de um jovem que, ao perceber que seus colegas possuem muitas dúvidas a respeito das mudanças corporais, cria um projeto em sua escola para romper com os mitos sobre esses assuntos. Fora da ficção, as tradições conservadoras prejudicam o ensino da educação sexual, evidenciando o machismo e a desigualdade social, já que afasta a população do acesso a canteúdos essenciais sobre o corpo humano.

Em primeiro lugar, é válido citar que os tabus realacionados às mudanças durante a puberdade contribuem com a inferiorização das mulheres. Sob essa ótica, o documentário “Absorvendo o tabu” mostra a vida de indianas que produzem seus próprios absorventes em uma sociedade onde não há informações sobre o período menstrual. Nesse sentido, o ensino da educação sexual é extremamente importante para que mulheres possam atingir a independência social, uma vez que permite romper com os estigmas sobre a saúde genital feminina e democratizar o acesso ao conhecimento para que toda população possa entender sobre as mudanças corporais de cada indivíduo.

Ademais, o conservadorismo não permite o ensino da educação sexual nas escolas públicas brasileiras e distancia a sociedade periférica do aprendizado. Nesse viés, de acordo com o filósofo alemão Karl Marx, a classe dominante detém o conhecimento e não permite que os menos favorecidos tenham acesso ao mundo intelectual. Logo, banir esse tipo de conteúdo nas escolas brasileiras reforça a teoria de Marx, pois afasta os mais pobres do estudo dessa área e contribui com a criação de tabus a respeito do funcionamento sexual humano.

Diante do exposto, denota-se a urgência de propostas governamentais que alterem esse quadro. Para isso, o Ministério da Educação deve criar, por meio de plataformas digitais, cursos obrigatórios para professores de ciências da rede pública, visando ensinar a forma que a educação sexual deverá ser trabalhada dentro da sala de aula, além de disponibilizar materiais para que jovens a partir dos 12 anos tenham acesso a esse conteúdo. Dessa forma, o Brasil permitirá o rompimento dos tabus sobre esse assunto.