O tabu em relação à educação sexual no Brasil e suas implicações para os jovens
Enviada em 22/09/2023
São Tomás de Aquino defendia que o tratamento igualitário deveria ser um direito comum de todos. Contudo, a realidade no Brasil ainda é pouco isonômica, já que grande parte dos jovens enfrentam uma dificuldade persistente no acesso à educação sexual. Nesse sentido, esse problema reside tanto na base educacional lacunar quanto na influência familiar e torna esse grupo mais vulnerável aos abusos na infância, à gravidez precoce e às infecções na adolescência.
Sob tal ótica, o conservadorismo do modelo educacional vigente é um complexo dificultador para que essa temática seja ministrada em sala de aula. De acordo com Sêneca, a educação influi em todos os aspectos da vida. Nesse viés, o tabu acerca do sexo impede que tal assunto possa ser abordado de forma precisa junto aos estudantes, já que a maioria dos docentes teme as represálias das famílias dos alunos ao ensinar sobre o ato sexual. Desse modo, esse temor distancia os discentes da formação necessária para o desenvolvimento de relações saudáveis na fase adulta, em detrimento do bom relacionamento dos professores com a comunidade escolar.
Além disso, a ausência de debates sobre a sexualidade nos núcleos parentais também é um óbice para a superação do silenciamento coletivo quanto ao tema. Segundo Talcott Parsons, o ambiente familiar modela as perspectivas de uma pessoa em relação ao mundo. Entretanto, grande parte dos genitores não instrui seus filhos sobre o coito, porque receiam a adultização precoce dos jovens. Dessa forma, a geração mais nova tende a buscar explicações em outros meios, o que a expõe à pornografia e contribui para aumentar o silêncio sobre o problema, pois o conteúdo visualizado cria uma idealização e um estereótipo acerca da prática citada. Dessarte, urge estimular o diálogo acerca dessa ação.
Portanto, medidas devem ser tomadas para garantir a implementação da educação sexual. Para isso, cabe ao Ministério da Educação, órgão responsável pelo currículo educacional, inserir essa questão nas instituições escolares, por meio de palestras destinadas a toda comunidade escolar, com o fito de conscientizar sobre a importância desse assunto para o desenvolvimento dos estudantes. Assim, o conhecimento e o tratamento serão igualitários como defendia Aquino.